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Correio da Manhã

Política
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PAN aponta o dedo à esquerda e defende que "fazer oposição não é só votar contra"

Inês Sousa Real foi várias vezes aplaudida pelo PS.
Lusa 27 de Outubro de 2021 às 17:50
A deputada do Partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN), Inês Sousa Real
A deputada do Partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN), Inês Sousa Real FOTO: MÁRIO CRUZ/LUSA

A porta-voz do PAN defendeu esta quarta-feira que "fazer oposição não é só votar contra" e que o "bom senso não imperou" no debate do Orçamento para 2022, num discurso no qual foi várias vezes aplaudida pelo PS.

Inês Sousa Real falava no encerramento do debate sobre o Orçamento do Estado para 2022, que decorre na Assembleia da República, em Lisboa, num discurso no qual reiterou a intenção do partido de se abster na votação do documento e deixou alguns reparos à esquerda parlamentar.

"Este debate sobre o Orçamento do Estado foi um medir de forças, um ver quem cede primeiro e uma forma de servir interesses partidários. Foi tudo aquilo que não deve ser, porque estamos a decidir o futuro das pessoas, a sua qualidade de vida, e o seu bem-estar. Aspetos estruturais como a saúde, a justiça, a habitação, educação, medidas ambientais e de proteção animal. No entanto, o bom senso não imperou neste debate", defendeu.

A líder partidária apontou que o orçamento em discussão, à semelhança de anteriores, "está longe da perfeição ou dos consensos" que pretendiam alcançar, deixando, no entanto, algumas ressalvas.

"Mas também sabemos que quem escolhe demitir-se daquilo para que foi eleito, demite-se de um trabalho que, em democracia, deve ser conjunto. E esta atitude resulta tão somente num adiar das respostas imediatas de que as pessoas precisam. E o país lá fora não pode esperar. (...) Fazer oposição não é só votar contra, é também trabalhar em conjunto por melhores soluções para o país", argumentou.

Inês Sousa Real considerou também que "foram várias as justificações forjadas para rejeitar o Orçamento do Estado, quando a verdadeira razão é tão só a de manter o sectarismo político e de satisfazer as clientelas partidárias".

"A esquerda e o Governo ao não cederem, ao demitirem-se de lutar por um orçamento melhor na especialidade, estendem a passadeira vermelha à ascensão do populismo antidemocrático no nosso país", vincou.

Chegados ao fim deste debate, continuou, "o que é que afinal cada deputado e deputada eleita à Assembleia da República vai escolher para as pessoas? um país em suspenso? A incerteza e a insegurança? Penhorar as conquistas alcançadas e o trabalho por concluir? Impedir a possibilidade de o país ter, a tempo, um Orçamento para 2022, pondo em causa respostas às necessidades dos serviços públicos, à crise sanitária, social e económica? Atrasar a aplicação dos fundos do PRR?", questionou.

"As forças políticas que se empenharam em erguer muros ao invés de construir pontes vão ser também responsáveis pelo cenário desastroso que se antecipa para o país", defendeu.

Inês Sousa Real acrescentou que, num cenário de chumbo do Orçamento já na generalidade, "há avanços tão importantes para os transportes públicos no país que ficarão pelo caminho" assim como "os mil e oitocentos milhões de euros previstos para sanear a dívida histórica da CP [Comboios de Portugal] que, ano após ano, tem levado à degradação da empresa e da ferrovia"

"E qual é a alternativa? Voltar às políticas de Passos e de Portas, que puseram fim aos passes sociais universais para todos os estudantes, que privatizaram empresas públicas lucrativas, como é o caso da aberrante privatização dos CTT? Ou que mandaram a nossa geração emigrar e não ser piegas quando impôs a austeridade ao país?", questionou, contando novamente com as palmas da bancada parlamentar do PS.

A deputada disse ainda que este orçamento, "por negociação, tal como reivindicou o PAN, pode permitir o aumento do salário mínimo nacional, pode rever os escalões de IRS de forma a aumentar os rendimentos da classe média e prever um novo regime de IRS Jovem que abranja os trabalhadores com recibo verde".

"E qual é a alternativa? Uma Iniciativa Liberal que rejeita a função redistributiva e social do IRS e que alimenta o sonho de uma taxa de IRS única que levaria os ricos a pagar menos impostos e os mais pobres a pagar mais?", deixou a questão, olhando para o deputado único da IL, João Cotrim de Figueiredo.

"O PAN, para além de saber o que quer, sabe bem o que não quer e com quem não quer fazer caminho e os retrocessos a que não quer assistir. O PAN está ciente do quanto vai pesar este sentido de voto na vida das pessoas, no bem-estar dos animais, nas metas ambientais e, possivelmente, nos destinos da nossa democracia", vincou.

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