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Correio da Manhã

Política
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"Para mim morreu o homem que mandou matar o meu pai", filho de vítima das FP-25 sobre morte de Otelo

"Que Deus lhe perdoe, o que ele nunca se arrependeu e eu não fui capaz de esquecer", disse Manuel Castelo-Branco.
Lusa 25 de Julho de 2021 às 15:18
Manuel Castelo-Branco
Manuel Castelo-Branco
Em 1989 | Otelo libertado, acusado de ser mentor das FP-25 Abril, detido no presidio Militar de Tomar
Manuel Castelo-Branco
Manuel Castelo-Branco
Em 1989 | Otelo libertado, acusado de ser mentor das FP-25 Abril, detido no presidio Militar de Tomar
Manuel Castelo-Branco
Manuel Castelo-Branco
Em 1989 | Otelo libertado, acusado de ser mentor das FP-25 Abril, detido no presidio Militar de Tomar
Manuel Castelo-Branco, filho de uma das vítimas das FP-25, descreveu este domingo o dia da morte de Otelo Saraiva de Carvalho como "mais um dia de sofrimento", em que recordou a dor da morte do pai.

"Para muitos, morreu hoje o Capitão de Abril, para outros o responsável máximo do Copcoon, para mim morreu o homem que mandou matar o meu pai e mais 14 vitimas inocentes, um bebé, o Nuno de apenas quatro meses, o Henrique, o Diamantino, o Alexandre, o Álvaro, o Adolfo, o Agostinho, o Fernando, o José, o Evaristo e o Rogério", escreveu Manuel Castelo-Branco na rede social Facebook.

Manuel Castelo-Branco, ligado ao CDS-PP, onde foi um dos mais próximos da ex-líder Assunção Cristas, filho de Gaspar Castelo-Branco, diretor dos Serviços Prisionais, morto em 1986 à porta de casa, partilha que se interrogou durante muitos anos como reagiria à morte de Otelo Saraiva de Carvalho, pensando se poderia sentir "um qualquer sentimento de vingança".

"Hoje o Otelo Saraiva de Carvalho morreu, e não sinto não fiz nem farei nada disso. Pelo contrário - é mais um dia de sofrimento, mais um dia em que me lembro de toda dor que este homem causou, sem que alguma vez tivesse cumprido a pena e 17 anos a que foi condenado e perdoado sem nunca se arrepender", escreveu.

"É o capítulo final de um livro de dor e sofrimento, que marcou toda a minha vida que se encerra. Que Deus lhe perdoe, o que ele nunca se arrependeu e eu não fui capaz de esquecer", concluiu.

Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratego do 25 de Abril de 1974, morreu hoje de madrugada aos 84 anos, no hospital militar, em Lisboa.

Nascido em 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho teve uma carreira militar desde os anos 1960, fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós-25 de Abril de 1974.

No Movimento das Forças das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratego do 25 de Abril.

Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por vários atentados e mais de uma dezena de mortos, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado em 1996, um processo muito controverso.

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