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Correio da Manhã

Política
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PCP critica Governo pelo aumento insuficiente do salário mínimo

Jerónimo de Sousa diz que Executivo considerou "apenas isoladamente" as propostas apresentadas pelos comunistas.
Lusa 26 de Outubro de 2021 às 17:08
Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa FOTO: Lusa
O secretário-geral comunista acusou esta terça-feira o Governo de ter considerado "apenas isoladamente" as propostas apresentadas pelo PCP no âmbito do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), defendendo que o salário mínimo nacional continua abaixo daquilo que o país precisa.

"O ponto a que chegamos hoje é conhecido (...), o Governo considerou apenas isoladamente algumas das propostas do PCP", disse Jerónimo de Sousa, durante o debate no parlamento de apreciação na generalidade da proposta de OE2022.

O secretário-geral do PCP sustentou que "só não há respostas porque o PS não quer" e que o "exemplo do Salário Mínimo Nacional confirma que não foi por falta de persistência ou abertura do PCP para que fossem encontradas soluções".

Desde 2020, prosseguiu o dirigente comunista, que o PCP tinha apresentada a proposta de aumento do salário mínimo nacional para 850 euros e que "desde março deste ano" que o executivo socialista "fixou o objetivo de 705 euros em 2022 e 750 euros em 2023".

"Às centenas de milhares de trabalhadores com um salário de 705 euros, o que lhes resta se quiserem ter o "luxo" de sonhar com o direito à habitação? Ou como podem os jovens casais decidir com liberdade ter filhos com este salário? Não há futuro para um País baseado em baixos salários", considerou.

Jerónimo de Sousa disse ainda que o partido propôs durante as negociações com o Governo a fixação do salário mínimo em 800 euros este ano, com o compromisso de chegar aos 850 euros em 2023, mas o executivo "manteve a mesma proposta que tem desde março, não saindo da posição inicial numa matéria desta relevância".

"Não é com as opções que o Governo faz que havemos de conseguir tirar o País da difícil situação em que se encontra", finalizou.

Na resposta, o primeiro-ministro reconheceu que o valor do salário mínimo "será sempre inferior aquilo" que desejava, mas é preciso haver "uma medida relativa para saber se o copo está a encher ou se o copo está a esvaziar".

"Os 135 euros que propõe para chegarmos aos 800 euros era fazermos num só ano um aumento idêntico aquele que fizemos ao longo dos quatro anos de legislatura. Tem a certeza de que as micro, pequenas e médias empresas (MPME) podem este ano sofrer um choque desta natureza?", questionou António Costa.

Na ótica do Governo, prosseguiu Costa, "é muito arriscado" dar esse passo que os comunistas reivindicam.

O primeiro-ministro também disse que, face aos "ganhos efetivos" alcançados em prol da população, ao nível do aumento das pensões, da gratuitidade das creches e do aumento do salário mínimo, feito "desde junho até agora" com o PCP, "ninguém compreende no país" que a proposta orçamental seja rejeitada.

Face ao que está inscrito no Orçamento do Estado, Costa questionou Jerónimo: "Como é que se pode votar contra?".

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