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Correio da Manhã

Política
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PCP exige "medidas corajosas" mas Costa diz que se foi até onde era possível

Jerónimo de Sousa alerta sobre degradação das condições de vida dos portugueses.
Lusa 29 de Setembro de 2022 às 16:45
 Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP
Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP FOTO: Direitos Reservados
O PCP exigiu esta quinta-feira "medidas corajosas" do Governo para contrariar a degradação das condições de vida dos portugueses, mas o primeiro-ministro retorquiu que este ano o executivo já apoiou "em tudo o que era possível".

"A situação que vivemos exige medidas corajosas, ao contrário do discurso encomendado por grupos económicos, o problema não está os impostos, está na possibilidade de aumentarem os preços como querem", sustentou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, na primeira ronda do debate de política geral com o primeiro-ministro.

O dirigente comunista advogou que o Governo "até pode reduzir os impostos a zero", mas os grandes grupos económicos continuarão a aumentar os preços "se não forem tomadas medidas de controlo e fixação de preços" de "combate às margens especulativas".

E acrescentou: "O povo a pagar e os lucros a engordar".

Mas mais "inadiável ainda" do que a fixação de preços máximos em bens essenciais, para o PCP é necessário aumentar os salários e as pensões que perderam poder de compra este ano "face a mais de sete por cento de inflação previstos".

"Não se admite que o Governo tenha recusado repor o poder de compra perdido em 2022 e ainda tenha acrescentado a decisão de cortar as pensões já em 2023, face aos aumentos que a lei prevê [...], o Governo vai continuar a ser cúmplice desta extorsão dos grupos económicos?", questionou.

Na resposta, António Costa referiu as medidas que o Governo adotou desde janeiro, ainda antes do início da guerra na Ucrânia, como a redução do IVA nos combustíveis, as medidas de "redução nas tarifas de acesso à rede", e o conjunto de "oito medidas muito poderosas", como a atribuição de mais meia pensão em outubro, e o pagamento de 125 euros a cada cidadão que esteja no ativo e que ganhe menos de 2.700 euros.

"Não há nenhum corte [nas pensões], há um aumento [...], há uma coisa que as pessoas sabem: é que em 2022 apoiámos em tudo o que era possível, em 2023 vão ter um aumento como nunca tiveram neste século e em 2024 cá estaremos para seguir a mesma política que temos seguido desde 2016", continuou o primeiro-ministro, acrescentando que "o Governo está bem consciente" das dificuldades pelas quais os portugueses estão a passar.

"Se pudesse fazer um pouco de ironia, depois do seu discurso, da sua intervenção, das medidas anunciadas, das promessas ainda não cumpridas, poderia concluir-se que os trabalhadores ainda ficam a dever dinheiro ao Governo, tal como os reformados e os pensionistas, mas pronto, é a sua verdade, fica assim", ironizou Jerónimo de Sousa.

O membro do Comité Central comunista também falou das dificuldades no acesso à habitação com que milhares de famílias estão confrontadas.

"Não basta agitar os milhões do Plano de Recuperação e Resiliência [PRR] e nada fazer para promover a habitação pública", argumentou Jerónimo de Sousa, exigindo a António Costa "medidas urgentes de disponibilização" de habitação pública para os jovens que querem "construir família" e impedir que acabem "na rua milhares de famílias".

António Costa foi telegráfico na resposta e referiu apenas a medida anunciada há poucas semanas de limitar a dois por centro o aumento das rendas e o "maior programa de política pública de habitação desde o programa de erradicação das barracas nos anos de 1990". 

Este programa prevê a construção, reabilitação e aquisição de imóveis, mas o primeiro-ministro advertiu Jerónimo de Sousa de que "não se assenta o tijolo hoje e o telhado nasce imediatamente".

"É preciso tijolo a tijolo até chegar ao telhado", finalizou.

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