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Correio da Manhã

Política
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Presidente da Comissão Política do Chega/Açores demite-se

Para António Rodrigues, o Chega com que "sonhou e acreditou parece não existir".
Lusa 13 de Agosto de 2021 às 19:52
Partido Chega
Partido Chega FOTO: Direitos Reservados
O presidente da Comissão Política do Chega/Açores pediu esta sexta-feira a demissão do cargo e a desfiliação do partido, criticando os "atropelos e ingerências" da direção nacional aos órgãos regionais, revela a carta a que a Lusa teve acesso.

Na missiva, António Rodrigues apresentou ao presidente da Mesa do Conselho Nacional, Luís Filipe Graça, a "demissão de funções de presidente da Comissão Política do partido Chega/Açores" e o "cancelamento de militância no partido".

Para António Rodrigues, o Chega com que "sonhou e acreditou parece não existir".

O ex-presidente classificou a situação nacional de "lastimável" devido às "constantes desavenças entre dirigentes e estruturas locais".

A nível regional, António Rodrigues advogou que "tudo correu bem" até aos órgãos regionais terem percebido que, "afinal", a estrutura nacional não pensava "exatamente" como os dirigentes do Chega/Açores.

"Os atropelos e ingerências ao Chega/Açores foram mais que muitos, levando-nos a crer que, inclusivamente, poderá até existir alguma mágoa por parte das estruturas nacionais em reconhecer que, a nível nacional, não se vive um tão harmonioso ambiente, como aquele que se viveu no Chega/Açores durante a presidência de Carlos Furtado", lê-se no documento.

A 14 de julho, o líder do Chega, André Ventura, anunciou a retirada de confiança política ao presidente da direção regional nos Açores, Carlos Furtado, que passou a deputado independente no parlamento açoriano.

"A nível regional, desde 13 de julho, o partido perdeu o profissionalismo anteriormente existente, não há coordenação de trabalhos, nem de estratégias, não há tão pouco uma perceção clara, sobre quem atualmente fala em nome deste partido a nível local", criticou António Rodrigues.

O agora ex-membro do Chega/Açores disse ainda não ver "futuro" para uma "nação gerida ou co-gerida por este partido", uma vez que o Chega "não tem sabido gerir, sequer, as suas estruturas".

"Sem mais assunto, faço votos que este sonho de um projeto sério e de rutura com os velhos costumes e vícios que levaram esta mui nobre nação à ruína e à beira da indigência não caia e permaneça nas mãos de oportunistas sem escrúpulos", conclui.

Na quarta-feira, o presidente da Mesa da Assembleia do Chega/Açores, João Martins pediu a demissão do cargo e a desfiliação do partido, criticando o "nepotismo" interno, a direção nacional e o líder André Ventura, revelou a carta de demissão.

A 16 de julho, a Comissão de Ética do Chega propôs a expulsão de Carlos Furtado, suspendendo por 90 dias o ex-líder regional açoriano, que perdeu a confiança política do presidente do partido, mas não renunciou ao mandato de deputado.

O Chega é um dos partidos que assinou um acordo de incidência parlamentar com as forças que integram o Governo dos Açores (PSD/ CDS-PP/PPM).

RPYP// ACG

Lusa/Fim

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