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Correio da Manhã

Política
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PS e Iniciativa Liberal divergem na forma do País crescer

Debate entre Costa e Cotrim marcado por propostas diferentes de financiamento da Segurança Social.
Andresa Pereira 15 de Janeiro de 2022 às 07:47
António Costa e João Cotrim de Figueiredo
António Costa e João Cotrim de Figueiredo FOTO: Lusa
António Costa e João Cotrim de Figueiredo concordam que o País tem de crescer mais, mas a forma como deve ser feito esse crescimento gera divergências.

No debate desta sexta-feira na TVI, Cotrim de Figueiredo começou por dizer que "o País não tem crescido de forma satisfatória" e que "a estagnação" já vem de há 20 anos e que continuou com o Governo de António Costa. Já o líder do PS quis explicar a sua "chave para o futuro". "Nos primeiros quatro anos do meu Governo crescemos sete vezes mais do que nos 15 anos anteriores. Se isto não é avançar, não sei o que é virar a página da estagnação. Para crescermos mais a nossa receita são os dois fatores fundamentais do crescimento moderno: qualificações e inovação", disse Costa.

Mas o líder da Iniciativa Liberal não ficou convencido com esta fórmula. "Fala das qualificações mas temos a famosa geração mais qualificada de sempre a emigrar, milhares por ano. Qualificações? Estamos a criá-las mas não estamos a aproveitá-las", afirmou Cotrim, ao que António Costa respondeu que, "pela primeira vez desde 2017 voltámos a ter saldos migratórios positivos, ou seja, há mais pessoas a vir para Portugal do que a sair".

E quanto à Economia e Segurança Social, as divergências continuaram. No seu programa, a Iniciativa Liberal propõe a isenção da TSU para as empresas, isto é, que deixem de contribuir para a Segurança Social, e que seja obrigatório que os trabalhadores deem uma parte da sua poupança para capitalizações. Para o secretário-geral do PS, "este sistema deixa completamente desprotegidas as poupanças de quem está a receber hoje e também de quem recebe a sua pensão". Já Cotrim de Figueiredo defendeu que "os descontos para a segurança social são impostos. "As pessoas não têm a certeza que chegam a 2050 e que têm lá a sua pensão", disse. Mas António Costa não vê dessa forma. "Hoje em dia as empresas e os trabalhadores descontam para a segurança social e o Estado garante a obrigatoriedade desse pagamento. O fundo de estabilização financeira ficaria esgotado até 2050 se até lá não continuássemos a contribuir", disse.

Já quanto à campanha, que começa este domingo, Cotrim acusou Costa de fazer só promessas, tendo desenrolado um pergaminho comprido em pleno debate e dizendo: "Isto são as promessas de António Costa."

Voo direto explica diferenças
O debate entre Rui Rio e António Costa na última quinta-feira ficou marcado pelo tema TAP. Já no final, o líder do PSD acusou a companhia aérea de cobrar mais aos portugueses do que aos espanhóis por uma viagem para São Francisco, nos Estados Unidos da América (EUA), afirmando que a transportadora serve o País "de forma absolutamente indecente".

A resposta ao presidente dos sociais-democratas acabou por surgir esta sexta-feira. Numa mensagem enviada ao ‘Eco’, a TAP explicou a diferença de preços com o facto de um voo ser direto e o outro não. "Os preços são determinados pela lei da oferta e da procura. Há uma forte concorrência na oferta de voos de qualquer aeroporto da Europa para os EUA. Para a TAP atrair passageiros que desejam voar entre Madrid e Barcelona e um destino nos EUA deve ter um preço que seja competitivo com a oferta de companhias aéreas que operam voos diretos na mesma rota, ou com uma escala em qualquer outro ‘hub’. Esta é uma política de preços comum à maioria das companhias aéreas", explicou a TAP.

Jerónimo terá alta dia 17 ou 18
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que foi operado de urgência na passada quinta-feira à carótida interna esquerda no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, deverá ter alta na próxima segunda ou terça-feira. Mas só deve regressar à campanha da CDU no dia 22 ou 23. Até lá, será substituído pelo líder parlamentar e cabeça de lista por Évora, João Oliveira, e pelo candidato a deputado em 10º lugar da lista por Lisboa, João Ferreira.

PS sem almoços e com arruadas
António Costa vai iniciar a campanha nos Açores, este domingo, destina terça-feira para a Madeira e terminará a volta a Portugal, dia 28, com um comício no Porto. A caravana do PS passará por todos os círculos eleitorais - exceção para Portalegre, onde esteve há dias. A pandemia trava os almoços e jantares, mas não impede ações de rua, visitas a instituições ou empresas, e comícios, ainda que com lotação reduzida a 50% nos espaços fechados.

PSD deixa Açores e Madeira de fora
O PSD vai percorrer os 18 distritos de Portugal continental, mas não vai aos Açores nem à Madeira. Apostando em iniciativas de rua e em sessões temáticas sobre o programa eleitoral, o PSD arranca este domingo a sua campanha oficial em Barcelos, no distrito de Braga. No dia seguinte, o líder do PSD, Rui Rio, viaja até Lisboa, concelho que irá marcar o encerramento da campanha para as eleições Legislativas.
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