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Correio da Manhã

Política
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PS pede unidade em torno do PRR e rejeita ideia de "agendas escondidas" ou "veia troikista"

Carlos Pereira advertiu que a existência de divisões em relação ao mais importante "é facilitar o falhanço".
Lusa 24 de Junho de 2021 às 15:59
Carlos Pereira, deputado do PS
Carlos Pereira, deputado do PS FOTO: Pedro Elias
O vice-presidente da bancada socialista Carlos Pereira pediu esta quinta-feira "unidade" em torno da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e rejeitou a ideia de "agendas escondidas" ou de uma "veia trokista" por parte do Governo.

Estas posições foram transmitidas por Carlos Pereira, deputado do PS eleito pela Madeira, na abertura do debate parlamentar proposto pela bancada socialista sobre o PRR - um plano já aprovado pela Comissão Europeia.

"O país tem de estar unido na sua recuperação. Esta unidade responsável é o ativo mais importante que todos podem contribuir, sobretudo, tendo em conta os combates que estamos a travar e a incerteza que domina o nosso dia a dia", defendeu o dirigente da bancada socialista.

Carlos Pereira advertiu que a existência de divisões em relação ao mais importante "é facilitar o falhanço, abrir espaço à dúvida e deixar portugueses para trás".

"Não hesitamos em promover todas as pontes que ajudem os nossos concidadãos a restabelecer as suas condições de normalidade e, sobretudo, a atingirmos as metas que vão muito para além do que tínhamos em 2019. Sabemos que governar em democracia é estarmos em permanente avaliação e num escrutínio firme e espinhoso", disse.

Por isso, segundo o deputado do PS, a bancada socialista atuará "para que Portugal saia reforçado da crise mais impactante que há memória - uma crise que banalizou a morte e encheu de medo e dúvida".

No seu discurso, o vice-presidente da bancada socialista referiu-se também ao teor da recente avaliação que a Comissão Europeia fez do PRR apresentado pelo Governo português, dizendo que acabou "com outros equívocos, como, por exemplo, a ideia mirabolante de que havia agendas escondidas e que este governo português afinal tinha uma veia troikista".

"Agora está tudo claro: há muitas reformas previstas, há algumas propostas de mudanças estruturais, mas está tudo às claras e, sobretudo, está tudo muito longe da realidade da troika", sustentou.

Carlos Pereira apontou como exemplos programas do Governo como o Plano Nacional de Habitação, a Estratégia Nacional de Combate à pobreza, o reforço do Serviço Nacional de Saúde, mais intensidade nas políticas de igualdade de género e mais investigação e desenvolvimento.

O vice-presidente da bancada socialista elogiou ainda a ação europeia do primeiro-ministro para a existência de um acordo em torno de um fundo de recuperação com recursos a subvenções.

"Estamos a discutir este PRR porque este Governo bateu o pé e não parou enquanto não fosse colocado na agenda europeia a discussão e aprovação da já conhecida bazuca. Não nos colocamos em bicos de pés para receber louros, mas não deixaremos de lembrar que o primeiro-ministro foi sempre o rosto da defesa da solidariedade europeia para com os países que mais precisavam", declarou.

Carlos Pereira referiu-se ainda ao facto de o debate em torno da existência do fundo europeu ter sido "longo e complexo", incluindo, depois, a discussão da própria dimensão da bazuca financeira.

Já a nível nacional, Carlos Pereira apontou que, "depois do envolvimento de uma personalidade independente, de centenas de interações e debates, de duas consultas públicas e de envolvimento da própria Assembleia da República, Portugal teve o seu plano aprovado no pelotão da frente, evitando perder tempo, tendo em conta as necessidades que estão à vista de todos".

No plano político, o dirigente da bancada socialista procurou traçar uma linha de demarcação entre o atual Governo e o executivo PSD/CDS-PP nas respostas às duas últimas crises com que o país se confrontou.

"O Grupo Parlamentar do PS faz votos que tenham aprendido a lição aqueles que aclamaram e implementaram decisões europeias, algumas anticonstitucionais, que exigiam cortes de pensões e salários e aumento de impostos", afirmou.

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