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Correio da Manhã

Política
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Rio quer afastar BE e PCP, Santana só viabiliza governos PS com acordo escrito

Candidatos à liderança do PSD esgrimiram argumentos em debate televisivo.
Lusa 10 de Janeiro de 2018 às 23:44
Santana Lopes e Rui Rio no debate da TVI
Santana Lopes e Rui Rio no debate da TVI
Santana Lopes e Rui Rio no debate da TVI
Santana Lopes e Rui Rio no debate da TVI
Santana Lopes e Rui Rio no debate da TVI
Santana Lopes e Rui Rio no debate da TVI
Os candidatos à liderança do PSD afirmaram esta quarta-feira querer vencer as legislativas, mas enquanto Rio admite viabilizar um Governo socialista minoritário, para "afastar BE e PCP" do poder, Santana só aceita voltar a essa prática depois de "acordo escrito".

No segundo debate televisivo, na TVI, que decorreu num tom mais sereno que o da semana passada na RTP, o ambiente entre os candidatos 'aqueceu' na parte final, quando questionados sobre qual será a posição do PSD em 2019 em caso de vitória do PS sem maioria absoluta.

"O PSD vai para ganhar, ponto. Mas, não vou ser politicamente hipócrita e dizer que ganhamos de certeza, entendo que o PSD deve ser coerente com o ataque que faz hoje a António Costa porque não deixou Passos Coelho ser primeiro-ministro (...). Prefiro que ele esteja amarrado à Assembleia como um todo do que apenas à esquerda", afirmou Rui Rio.

"Pelo interesse nacional, temos de evitar que o BE e o PCP continuem na esfera do poder", disse Rui Rio, considerando que tal só é possível se o PSD deixar passar um executivo socialista.

Por seu turno, Santana Lopes frisou que "foi rompida a prática constitucional" de que quem ganha as eleições governa.

"António Costa não pode enganar o PPD/PSD (...). O PS tem de voltar a provar que está de acordo com esta prática constitucional. Admito um dia conversar sobre o assunto, mas com acordo escrito", afirmou, sublinhando que, se esta regra se mantivesse válida, "Passos Coelho era primeiro-ministro".

Para Santana Lopes, "não tem pés nem cabeça" o PSD viabilizar um eventual governo minoritário do PS apenas para honrar o seu passado.

"O que estás a dizer é para votarem útil no PS", alertou Rui Rio.

"O teu problema é a falta de confiança nas possibilidades próprias, o teu principal alvo nestas diretas era derrotar Pedro Passos Coelho, eu vim para derrotar António Costa. Tu queres mudar o PSD, eu vim para mudar o país", respondeu Santana Lopes.

O início do debate foi novamente virado para o passado, mas desta vez foi Rui Rio quem trouxe recortes de entrevistas do seu adversário, onde Santana Lopes criticava o ainda presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, ou em que este elogiava e era elogiado por António Costa.

Santana Lopes admitiu que, de início, teve "as maiores reservas" em relação a Passos Coelho, mas salientou que este superou as suas expectativas. Quanto a António Costa, enquadrou esses elogios na renovação do mandato à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Já Rui Rio salientou que as divergências que teve com Pedro Passos Coelho aconteceram, sobretudo, enquanto presidente da Câmara do Porto, acrescentando que foi também nessa qualidade que teve mais proximidade com António Costa, quando este presidia à autarquia da capital.

"Nós não podemos ser vidrinhos", afirmou Santana Lopes, questionado sobre a troca de acusações pessoais que tem marcado a reta final da campanha para as diretas do PSD, dizendo ser importante "separar as águas" sobre as posições dos candidatos em alguns assuntos.

Rui Rio foi confrontado com elogios que fez, em 2004, ao governo de Santana Lopes, do qual agora recorda "as trapalhadas", justificando-se com a lealdade que lhe devia enquanto vice-presidente.

"Eu fui sempre leal aos líderes todos do partido, também lhe fui a ele", afirmou Rui Rio, mas reiterando que, se for Santana Lopes o líder do PSD e candidato a primeiro-ministro, tem dúvidas que o povo português lhe dê "uma nova oportunidade".

Santana Lopes acusou o seu adversário de dizer "sempre o contrário do que pensa", confrontando-o com uma intervenção que fez a seu favor, já depois da queda do seu Governo, na campanha para as legislativas de 2005.

"Se tinhas tantas discordâncias podias não ir falar (...). Passas a vida a dizer o contrário daquilo que pensas, isso é uma maçada", afirmou.

Pelo contrário, Rui Rio reclamou a sua coerência neste e noutros assuntos.

"Eu disse sempre a mesma coisa, relativamente àquilo que foi a atitude do doutor Jorge Sampaio tinha dado mais tempo. Agora, a seguir fomos para eleições e o PS ganhou com maioria absoluta, a atitude do doutor Jorge Sampaio acabou por ser legitimada pelos portugueses", afirmou, no segundo e último debate televisivo entre os dois candidatos.

Rui Rio e Pedro Santana Lopes voltam a enfrentar-se em novo debate na rádio já na quinta-feira às 10:00, realizado pela Antena 1 e TSF, a apenas dois dias das diretas do próximo sábado.
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