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Correio da Manhã

Política
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‘Superespião’ quer lugar no Estado

O ex-director do SIED está há nove meses à espera de que seja publicado um despacho conjunto de criação de uma vaga, a que tem direito por lei
25 de Julho de 2011 às 00:30
Jorge Silva Carvalho foi alvo de um veto de gaveta
Jorge Silva Carvalho foi alvo de um veto de gaveta FOTO: Paulo Cordeiro/Lusa

Jorge Silva Carvalho, ex--director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), que se demitiu do cargo em Novembro do ano passado, em ruptura com o então primeiro-ministro, José Sócrates, continua à espera de que seja publicado um despacho conjunto, da Presidência do Conselho de Ministros (PCM) e das Finanças (MF), de criação de uma vaga no Estado. O pedido entrou nos serviços, mas ficou na gaveta até hoje, apurou o CM.

A Lei 9/2007 prevê a atribuição de um vínculo ao Estado dos elementos dos serviços de informações que tenham mais de seis anos de serviço. Ora, Jorge Silva Carvalho esteve no Serviço de Informações de Segurança (SIS), e depois no SIED, mais de 20 anos.

O ex-director do SIED, que na altura da sua exoneração recusou pedir licença sem vencimento por discordar que elementos das ‘secretas’ optem por essa figura legal, ficou à espera. Mas passado um mês e meio, e vendo-se desempregado, aceitou o convite do seu amigo Nuno Vasconcelos para ser assessor da administração da Ongoing. Essa terá sido a razão da indecisão em aceitar logo o convite para a Ongoing.

O ‘superespião’, como passou a ser conhecido, tem agora esperança de que o novo Governo crie a vaga de assessor principal na PCM, que é o topo da carreira. O lugar, como é habitual nestes casos, será para extinguir quando ficar vago.

ASSESSOR NAS 'SECRETAS'

Paulo Viseu Pinheiro, assessor diplomático do primeiro--ministro, pode ser o novosecretário-geral do Sistemade Informações da República Portuguesa, substituindono cargo Júlio Pereira, que já terá manifestado interesse em sair, por ter cumprido seis anos no cargo.

Dado que, como noticiou ontem o CM, o nome de Jorge Silva Carvalho foi descartado, o Governo deverá optar pelo diplomata de carreira, que até há bem pouco tempo foi consultor de Durão Barroso em Bruxelas. Paulo Viseu, que alguns dizem pertencer ao Opus Dei, tem experiência na área, já que foi director-adjunto do SIED, precisamente na altura em que Jorge Silva Carvalho, apontado como sendo da maçonaria regular, dirigia os serviços.

 

JORGE SILVA CARVALHO SIED FUNÇÃO PÚBLICA
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