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Correio da Manhã

Política
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Ventura diz que "Rui Rio gostava era de ser líder do Partido Socialista"

Presidente do Chega considera "lamentável" a rejeição por parte de Rui Rio de um acordo pós-eleitoral com o Chega.
Lusa 28 de Dezembro de 2021 às 17:34
 André Ventura
André Ventura FOTO: Lusa
O presidente do Chega, André Ventura, considerou esta terça-feira "lamentável" a rejeição por parte de Rui Rio de um acordo pós-eleitoral com o Chega e acusou-o de querer "ser líder do Partido Socialista".

"Rui Rio está a desempenhar um papel em que não acredita. Gostava era de ser líder do Partido Socialista. É o cargo com que sempre sonhou, gostava de ter e não tem. Como tal, quer fazer do seu lugar no PSD o de líder do PS. Isto é muito grave, para a direita, para o PSD, para o Chega, é grave para todos", afirmou hoje André Ventura.

O líder do Chega prestava declarações aos jornalistas no aeroporto Sá Carneiro, no Porto, onde entregou um carta de protesto, dirigida à administração da TAP, contra a prioridade dada pela companhia aérea ao 'hub' de Lisboa, em detrimento do Porto.

Para Ventura, a posição de Rui Rio é "lamentável, é um desprezo ao eleitorado do Chega". Por isso, disse esperar "que as pessoas saibam julgar no dia 30 de janeiro".

Numa entrevista à CNN Portugal, que será emitida na íntegra a partir das 22:00 de hoje, o líder social-democrata disse que não quer "o eleitorado do Chega porque o Chega teve um vírgula poucos por cento, é uma coisa mínima".

"Neste caso, quero é manter eleitorado do PSD no PSD e não fugir para a extrema-direita", vincou.

Depois de, no último congresso do PSD, ter utilizado o lema "Portugal ao Centro", Rui Rio voltou a afastar qualquer hipótese de acordo com o Chega de André Ventura, mesmo que seja a única forma de alcançar uma maioria de direita após as legislativas, recordando mesmo o seu passado antifascista para se demarcar da extrema-direita portuguesa.

André Ventura reiterou que," se a direita aceitar reformas estruturais na área da justiça, na redução do sistema político e na fiscalidade", está disponível "para conversar e para formar um Governo".

"Estamos a entrar num perigosíssimo terreno de fragmentação, com a possibilidade de termos um parlamento onde ninguém se entende após dia 30 [de janeiro], e muito se deve a estas atitudes irresponsáveis do Dr. Rui Rio, que quer, a todo o custo, uma coligação com o PS, e como ainda ontem vimos, António Costa não quer fazer coligação com Rui Rio. É tão ridículo que se torna sofrível ver Rui Rio nesta posição", afirmou.

Na segunda-feira, António Costa disse, em entrevista à CNN Portugal, que uma coligação com o PSD "é um cenário que nunca se colocará".

"Se houver uma maioria de direita e Rui Rio continuar a recusar qualquer entendimento, só tem uma hipótese, é sair e dar o lugar a outro que possa negociar com o Chega, a IL e o CDS, e possa cumprir o que todos queremos à direita, afastar António Costa do poder. Rui Rio, pelo contrário, empenha-se em manter António Costa no poder. É com isso que quero acabar e contra isso me vou insurgir", afirmou.

Sobre o pedido de António Costa de uma maioria absoluta, o líder do Chega disse que, no lugar do socialista, "fazia a mesma coisa".

"Rui Rio diz 'com o Chega não', e as sondagens dizem que só com o Chega tem maioria. Então com o PS? Diz que não. Qual é a mensagem que está a dar? Que a única hipótese de uma maioria estável é com o PS. Porque com o PSD nunca pode ser, não dá com o Chega e com o PS. Qual é a única alternativa? É o PS", considerou.

Ventura realçou ainda que "foi isto que conseguiu Rui Rio, colocar António Costa no centro do poder político português de maioria".

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