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Correio da Manhã

Portugal
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257 à espera de indemnização da extinta Companhia do Cobre

Antiga fábrica na Estrada Interior da Circunvalação está ainda ao abandono desde que fechou portas, há 18 anos.
Manuel Jorge Bento 27 de Março de 2016 às 06:00
Instalações da extinta Companhia Portuguesa do Cobre, na Estrada da Circunvalação, ainda não tem futuro definido
Instalações da extinta Companhia Portuguesa do Cobre, na Estrada da Circunvalação, ainda não tem futuro definido FOTO: Eduardo Martins
António Castro começou a trabalhar na Companhia Portuguesa do Cobre, no Porto, com 13 anos e foi dos últimos 257 funcionários a sair em 1998, após a falência da empresa. Entre salários em atraso e indemnização, tinha direito a 31 mil euros, mas recebeu apenas cerca de 2400. Dezoito anos depois, ainda aguarda que a "injustiça" seja revertida, mas já "sem grande esperança". Os 56 mil metros quadrados da antiga fábrica, propriedade da Sonae Capital, na Estrada da Circunvalação, "estão em comercialização", indica a empresa, mas ainda sem futuro traçado.

"Nunca chegámos a receber o que era suposto e o processo andou anos e anos na justiça", referiu ao CM o ex-trabalhador da manutenção mecânica, já com 63 anos e reformado. O Supremo Tribunal de Justiça revogou, em novembro de 2005, as decisões da primeira instância e da Relação do Porto, definindo que os bancos teriam prioridade sobre os créditos. Os trabalhadores recorreram para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, mas os ex-funcionários continuam ainda a aguardar.

"Ninguém imagina o que me dói quando passo por aquele lugar onde passei mais de 30 anos da minha vida e ainda vejo tudo ao abandono. Quando entrei, em 1965, éramos mais de dois mil trabalhadores. Nos últimos anos, só sobravam 300 e tal. É uma tristeza", admitiu ao CM.

Dezenas de funcionários chegaram a fazer ações de protesto e marchas lentas, com apoio do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Norte. "De pouco ou nada serviu", disse António Castro.