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Correio da Manhã

Portugal
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Biotoxinas podem estar a afetar aves aquáticas

Centro de recuperação em Olhão recebeu muitos patos e gaivotas com problemas gastrointestinais.
Tiago Griff 4 de Janeiro de 2020 às 08:41
Grifo reabilitado no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens a ser devolvido à natureza, no Alentejo
Grifo reabilitado no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens a ser devolvido à natureza, no Alentejo FOTO: Direitos Reservados
Foram "largas centenas" de aves, na sua maioria gaivotas e patos, que deram entrada no RIAS - Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens, em Olhão, com problemas gastrointestinais, cuja origem tem estado a ser investigada por especialistas. Este centro algarvio registou, em 2019, um recorde absoluto de animais recolhidos e a taxa de sucesso nas reabilitações também aumentou.

"Será alguma coisa que andam a comer, mas não conseguimos ainda apurar a origem. Estamos a investigar. No entanto, a suspeita é que será de alguma biotoxina que tem afetado o marisco e que tem impedido a apanha de bivalves", disse ao CM Fábia Azevedo, coordenadora do RIAS. 


Estas aves com problemas gastrointestinais fazem parte dos 2983 animais que deram entrada neste centro de recuperação situado na Quinta do Marim, no Parque Natural da Ria Formosa, um número em muito superior à média a rondar os 1500 e os 2 mil animais que foram recolhidos anualmente durante um espaço de 10 anos.

"Não significa necessariamente que haja mais ameaças aos animais, mas que, na nossa opinião, há mais gente que conhece o nosso trabalho como resultado da sensibilização que temos feito ao longo dos anos", diz a especialista. E adianta que a taxa de reabilitação com sucesso passou de 47%, em 2018, para 54%, no ano passado.

O RIAS também promove ações de sensibilização, que abrangeram mais de 5 mil pessoas durante o ano passado, e ainda um evento que decorre todos os sábados em que mais de 4500 pessoas participaram na devolução de animais ao seu habitat natural.
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