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Correio da Manhã

Portugal
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Câmara de Paredes arrisca falência por suspeita de fraude

Relatório demolidor da Inspeção-Geral de Finanças indica falha no pagamento de 20 milhões ao Estado.
Manuel Jorge Bento 14 de Dezembro de 2017 às 08:24
Alexandre Almeida é o presidente da Câmara de Paredes
Celso Ferreira deixou a autarquia após as eleições
Alexandre Almeida é o presidente da Câmara de Paredes
Celso Ferreira deixou a autarquia após as eleições
Alexandre Almeida é o presidente da Câmara de Paredes
Celso Ferreira deixou a autarquia após as eleições
Contas condicionadas por herança ruinosa, obrigação de devolver seis milhões de euros em fundos comunitários, no âmbito do processo movido pelo Organismo Europeu Anti-Fraude, e falhas no pagamento de prestações devidas ao Estado pelo empréstimo de 19,7 milhões concedido através do Programa de Apoio à Economia Local são as situações que deixam a Câmara de Paredes à beira da falência, de acordo com o atual executivo, liderado por Alexandre Almeida.

O autarca socialista promete revelar hoje "dados de gravidade extrema" relativos à situação financeira do município, que indiciam "descontrolo, desequilíbrio financeiro e ilegalidade nas opções da gestão municipal anterior". Alexandre Almeida sucede a Celso Ferreira na presidência da câmara e acabou com 24 anos de governação social-democrata no concelho.

Os indícios de fraude estão relacionados com suspeitas de viciação na contratação das empreitadas dos centros escolares de Duas Igrejas, Recarei, Sabrosa e Vilela. O ex-autarca Celso Ferreira disse ao CM que este processo "está nos tribunais e é a Justiça que dirá se a autarquia tem ou não razão na contestação que apresentou".

Quanto ao incumprimento do pagamento do empréstimo do Estado, admite que a autarquia "poderá não ter cumprido no primeiro ano de execução do programa de apoio, mas cumpriu no ano passado". "Entreguei a câmara em perfeita situação de gestão", assegura.

Celso Ferreira diz que o atual executivo "deve ter dificuldade em desligar da campanha eleitoral" e questiona: "Se a câmara está tão mal, como conseguiu 600 mil € para pagar livros a alunos e 200 mil para o programa de Natal?". "Desejo-lhes felicidades e que arranjem outro bode expiatório", conclui.
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