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Correio da Manhã

Portugal
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Desmantelamento do Prédio Coutinho em curso com nove resistentes no interior

Edil José Maria Costa reuniu-se com moradores, mas só conseguiu um princípio de acordo com um casal.
Aureliana Gomes e Paulo Jorge Duarte 29 de Junho de 2019 às 09:17
Prédio Coutinho em Viana do Castelo
Tribunal aceitou ação pelos direitos dos últimos moradores do prédio Coutinho
Polícia impediu qualquer acesso ao ‘Prédio Coutinho’ e refeições de moradores tiveram de ser içadas com uma corda
Moradores indignados recusam sair do prédio Coutinho
Prédio Coutinho em Viana do Castelo
Tribunal aceitou ação pelos direitos dos últimos moradores do prédio Coutinho
Polícia impediu qualquer acesso ao ‘Prédio Coutinho’ e refeições de moradores tiveram de ser içadas com uma corda
Moradores indignados recusam sair do prédio Coutinho
Prédio Coutinho em Viana do Castelo
Tribunal aceitou ação pelos direitos dos últimos moradores do prédio Coutinho
Polícia impediu qualquer acesso ao ‘Prédio Coutinho’ e refeições de moradores tiveram de ser içadas com uma corda
Moradores indignados recusam sair do prédio Coutinho
Cinco dias depois da ação de despejo, começou esta sexta-feira o desmantelamento dos 13 andares do prédio Coutinho, em Viana do Castelo. Os nove moradores, de seis frações, continuam nas suas casas e prometem não sair até à decisão da providência cautelar interposta na passada segunda-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga.

Os moradores, que já não têm acesso a água, gás ou luz, acordaram, esta sexta-feira de manhã, com o barulho dos trabalhos que começaram, às 08h10, nos apartamentos desocupados.

"Começaram estrategicamente nas frações contíguas às que ainda estão habitadas. Isso está a afetar as pessoas", disse um dos advogados dos moradores, Magalhães Sant’Ana, que foi impedido de entrar no prédio durante a manhã.

Durante a tarde, José Maria Costa, presidente da Câmara de Viana do Castelo, deslocou-se, pela primeira vez desde segunda-feira, ao ‘Coutinho’ e reuniu com os moradores.

Conseguiu, após negociações de cerca de uma hora e meia, um princípio de acordo com um casal que poderá vir a abandonar o edifício, garantindo que continuará as conversações com os restantes sete.

Esta sexta-feira à noite, os nove moradores mantinham-se no interior do edifício, com a PSP a continuar a definir um perímetro de segurança em torno do mesmo - esta sexta-feira, dia de feira concentraram-se mais pessoas à volta do prédio.

Também esta sexta-feira, o Governo já reagiu a todo o caso. "As pessoas não podem estar ali, é um edifício público, que foi expropriado e que tem de começar a ser desconstruído", disse João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, garantindo que os "abusados" no processo são os poderes públicos e não os moradores: "Há 19 anos que sabem que têm de sair de lá".

"Espero que saiam do prédio a bem e com dignidade"
José Maria Costa conseguiu um pré-acordo com um casal e, cinco dias depois, preferiu não responder diretamente sobre se será, ou não, utilizada força em caso de continuidade do protesto. O autarca diz que "as condições de habitabilidade começam a ficar esgotadas" e que "espera que saiam com dignidade e a bem" do edifício.

Advogado chegou a ser impedido de entrar
Magalhães Sant’Ana, advogado de moradores que resistem no interior do prédio, chegou a ser impedido de entrar no edifício por agentes da PSP e pela segurança privada.

Após crítica da parte do Conselho do Porto da Ordem dos Advogados, que considerou tal ato intolerável, à tarde foi dada autorização aos mandatários - são dois - para entrarem no polémico edifício.

Projeto prevê novo mercado
Para o local onde está instalado o prédio, está prevista a construção do novo mercado municipal da cidade. O Edifício Jardim - que acabou por ficar conhecido como Coutinho - tem desconstrução prevista desde 2000, mas os moradores protestaram em várias ações judiciais.

"Isto tem de acabar, porque os meus pais não aguentam mais"
Sem poder falar com os pais desde quinta-feira, Manuela da Cunha diz que a situação está a ficar incontrolável e é preciso medidas. "Isto tem de acabar. Os meus pais não aguentam mais", disse, explicando ainda que em causa está o valor da indemnização.

"É tudo muito bonito, mas o valor que oferecem, por exemplo, aos meus pais é menos de metade do valor que o apartamento deles vale", disse.
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