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Correio da Manhã

Portugal
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Obras deixam moradores sem acesso às habitações

Residentes de Cascais sem acesso automóvel e pedonal às moradias na encosta.
Marta Ramos e Edgar Nascimento 15 de Setembro de 2016 às 08:25
Escadaria com um total de 115 degraus é o único acesso a duas habitações do bairro Fim do Mundo, na Galiza (Cascais)
Escadaria com um total de 115 degraus é o único acesso a duas habitações do bairro Fim do Mundo, na Galiza (Cascais) FOTO: Inês Gomes Lourenço
Conceição Florêncio, de 59 anos, reside no bairro Fim do Mundo, na Galiza (Cascais), e está revoltada com o corte do acesso a duas casas do bairro – só pode ser feito através de uma escadaria com um total de 115 degraus.

"Estamos completamente cercados e isolados", diz Conceição. Em causa está uma obra de alargamento do Colégio Senhora da Boa Nova, que acabou por cortar um acesso em terra batida às moradias localizadas numa encosta.

Para transportar os sacos das compras, Conceição tem sempre 80 degraus pela frente. "Tiraram 200 metros de caminho, tem sido muito cansativo", sublinha Conceição. Pedro Florêncio, de 61 anos, está preocupado com a possibilidade de alguém se sentir mal no local.

"Os bombeiros vão ter muita dificuldade em aceder ao terreno", conta o marido de Conceição. Fernando Nobre, de 61 anos, reside há 12 anos no bairro Fim do Mundo. "Está um muro a vedar os acessos, parece que estamos mesmo no fim do Mundo."

Segundo explica ao CM o Centro Paroquial do Estoril, que gere o colégio, a obra "consiste na construção de salas de aula do colégio", num terreno que foi cedido pela Câmara de Cascais. Caso essa reinstalação não se efetue, "o colégio terá dificuldade em manter-se, e caso o colégio não se mantenha, haverá centenas de famílias que deixarão de receber o apoio que o CPE presta".

A Câmara de Cascais garante que as construções "mantêm a acessibilidade que já tinham, o que está em causa é a possibilidade que antes tinham de fazerem a passagem atravessando um terreno, propriedade privada, que, pelo facto de não estar a ser utilizado, o permitia". Segundo a autarquia, "não se pode deixar de dar uma utilização ao terreno, quando está em causa uma função social".
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