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Correio da Manhã

Portugal
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População “doente” espera fecho de fábrica em Ferreira do Alentejo

Unidade é há nove anos um pesadelo nesta aldeia alentejana devido à nuvem de fumo.
António Lúcio 30 de Junho de 2018 às 10:16
A fábrica de produção de bagaço de azeitona é um foco poluente em pleno Alentejo. Deputados querem medidas
A fábrica de produção de bagaço de azeitona é um foco poluente em pleno Alentejo. Deputados querem medidas FOTO: Direitos Reservados
A população de aldeia de Fortes, no concelho de Ferreira do Alentejo, saúda a aprovação, esta sexta-feira, das cinco resoluções (PSD, BE, CDS-PP, PCP e PEV) no Parlamento a recomendar ao Governo medidas para acabar com a poluição causadas pela unidade de extração de bagaço de azeitona da AZPO - Azeites de Portugal, e melhorar a qualidade de vida da população local.

Quem vive há nove anos debaixo de uma nuvem de fumo espera que a solução esteja para breve, e mostra-se preocupado com as consequências da exposição à poluição. Casas, carros, até as hortaliças das pequenas hortas ficam cobertas por um sedimento oleoso, proveniente desta unidade fabril, que dista 300 metros da aldeia onde vivem 80 pessoas.

"Passei meses seguidos sem sair de casa por causa do fumo. Não podia estar na rua com ardor nos olhos", revela Maria Coelho, de 76 anos. Manuel Lino é asmático e garante que a sua situação se agravou nos últimos anos. "É insuportável o ar que se tem respirado nestes anos", afirma.

Outro caso é o de Rosa Dimas: há cerca de dois anos o médico diagnosticou-lhe graves problemas pulmonares, recomendando-lhe que não esteja mais exposta a estes fumos.

Depois de 75 queixas-crime e de uma intensa luta por parte dos moradores, surgiu uma proposta da Comissão de Coordenação do Alentejo para a suspensão da fábrica por seis meses. F

átima Mourão, moradora na aldeia e responsável pela Plataforma Problema Ambiental das Fortes, afirma que se congratula com esta decisão. No entanto, vai ficar "atenta" às alterações na fábrica.

A população mais afetada pondera fazer pedidos de indemnização à empresa, que nunca respondeu aos pedidos de esclarecimentos do CM.
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