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Correio da Manhã

Portugal
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"A igreja tem casos de pedofilia mas não é pedófila": Bispo D. José Ornelas fala sobre suspeita de encobrir abusos sexuais

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa falou em exclusivo à CMTV.
Correio da Manhã e Lusa 2 de Outubro de 2022 às 19:39
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"A igreja tem casos de pedofilia mas não é pedófila": Bispo D. José Ornelas fala sobre suspeita de encobrir abusos sexuais
O bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, falou em exclusivo ao CM/CMTV, depois de ser anunciado de que está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de ter ajudado, em 2011, a encobrir dois padres italianos, suspeitos de pedofilia num colégio dos Dehonianos, em Moçambique. 

Quando questionado se lhe ocorreu abdicar de cargo perante as acusações, o bispo garantiu que "não está em causa e ninguém me pediu".

"Soube do caso através de uma pessoa da comunicação social que deve ter tido acesso a coisas do Ministério Público, que eu acho que deviam estar em segredo de justiça. Eu não sabia de absolutamente nada", revelou D. José Ornelas.

Quando questionado se teme que acusações tenham repercussão na imagem da igreja portuguesa a longo prazo, o bispo de Leiria-Fátima respondeu: "Não aceito que me venham dizer que a igreja católica é pedófila. Temos caso de pedofilia temos, mas esse é um caso transversal a toda a sociedade".

D. José Ornelas garante que é importante esclarecer situações de abusos sexuais dentro e fora das igrejas e que "temos de fazer justiça a quem foi vítima de coisas destas. É muito fácil atingir a igreja. É preciso é que nos juntemos como sociedade para inverter esta situaçao. A maior parte dos abusos tem parte na família. As crianças são abusadas num ambiente em que confiam e estas situações são dramáticas para a vida inteira" acrescentou.

O Ministério Público (MP) confirmou estar a investigar o bispo D. José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, por alegado encobrimento de abusos sexuais, revelando que já houve uma investigação com possíveis ligações a este caso em 2011.

"Confirma-se a receção de participação provinda da Presidência da República. A mesma foi transmitida ao Ministério Público de Braga e ao DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa para análise", esclareceu a Procuradoria-Geral da República (PGR) numa resposta enviada à agência Lusa, na sequência da notícia avançada este sábado pelo Público.

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