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Correio da Manhã

Portugal
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Assassino gay cala-se em tribunal

O homem suspeito de ter morto o companheiro a tiro, em Abril do ano passado, recusou ontem prestar declarações no Tribunal de Pombal, na primeira sessão do julgamento em que é acusado de homicídio qualificado e posse de arma proibida.
3 de Fevereiro de 2010 às 00:30
Paulo Figueiredo
Paulo Figueiredo FOTO: Paulo Cunha/Lusa

Paulo Figueiredo, 43 anos, vivia há oito meses em união de facto com a vítima, José Carmo, na casa deste, em Carriço, Pombal, segundo o Ministério Público. Em Abril de 2009, José Carmo, 37 anos, terá dito ao companheiro que tinha de abandonar a casa, por causa das visitas do seu filho menor. Paulo não gostou e matou-o a tiro. Em seguida, colocou-lhe fita adesiva na boca, atou-lhe as mãos atrás das costas e transportou o corpo para o quintal, numa tentativa de simular um assalto. Após o crime, escondeu a arma num pinhal.

Sandra Dias, ex-mulher de José Carmo, disse ontem ao tribunal que o menor recusava ficar em casa do pai devido à presença do arguido.

DISCURSO DIRECTO

"VIOLÊNCIA ENTRE GAYS TEM AUMENTADO": Daniel Cotrim da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima sobre violência doméstica entre pessoas do mesmo sexo

Correio da Manhã – Porque é que a APAV decidiu dedicar uma campanha à violência doméstica entre pessoas do mesmo sexo?

Daniel Cotrim – É uma forma de sensibilizar a sociedade civil para o facto de a lei não fazer qualquer discriminação e serve sobretudo para deitar abaixo o estereótipo de que a violência doméstica só acontece entre casais de sexo diferente.

– Qual é a dimensão desta realidade?

– Não temos estatísticas sobre os casais homossexuais, não fazemos essa discriminação. Mas sabemos, pela experiência, que os casos têm aumentado. Há cada vez mais pessoas a recorrer à APAV, até porque a sensibilização é maior.

– A violência afecta mais os casais de mulheres ou de homens?

– Apenas posso responder pelo que vejo no terreno. E pelo que sei a grande maioria dos casos onde a violência ocorre é entre os homens. É nos casais de gays que há um maior índice de violência doméstica.

– Ontem começou o julgamento, em Pombal, de um homem que matou o companheiro. Este tipo de violência está a aumentar?

– Não sei, mas há mais denúncias.

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