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Correio da Manhã

Portugal
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Baleado à queima-roupa

Um jovem segurança foi baleado na madrugada de ontem, em Matosinhos, à porta de um bar de alterne em que trabalhava.

3 de Maio de 2008 às 00:30
Ricardo foi atingido à queima-roupa, à porta do Night-Club - Bar Macau, em Matosinhos
Ricardo foi atingido à queima-roupa, à porta do Night-Club - Bar Macau, em Matosinhos FOTO: d.r.

Passavam poucos minutos das 04h00,quandoRicardo,de25 anos, foi atingido no peito com um tiro à queima-roupa, por um cliente que saía do ‘Night Club - Bar Macau’ e que de imediato fugiu num automóvel estacionado nas imediações da rua Brito Capelo, onde se localiza aquela boîte.

Ao que o CM apurou, na origem do incidente poderá estar um ajuste de contas antigo, já que não terá havido ontem qualquer troca de palavras ou desentendimento entre o segurança e o agressor.

Tudo aconteceu muito rápido e sob o olhar atento de perto de uma dezena de clientes que se encontrava àquela hora no interior do bar. Ricardo, atingido com o disparo de uma pistola 6.35 milímetros, não conseguiu reagir, caindo em segundos, esvaído em sangue, nos degraus da entrada.

Ficou prostrado no chão e foi socorrido ainda no local por uma viatura médica e uma ambulância do INEM, tendo depois sido transportado para o Hospital de São João, no Porto.

O jovem fazia segurança no bar há cerca de um mês – num estabelecimento que funciona há pelo menos dez anos – após a substituição do porteiro anterior. "Não o conheço, mas sei que ele costuma ser malcriado com os clientes", referiu ao CM, um comerciante que preferiu não se identificar.

No estabelecimento estiveram vários elementos da Polícia Judiciária do Porto e da Divisão de Investigação Criminal da PSP que efectuaram diversas perícias no local.

Ricardo continua internado em estado estável, mas com uma bala alojada no fígado, na unidade de cuidados intermédios, para onde foi transferido ao final da manhã de ontem, altura em que conseguiu falar com os investigadores da Judiciária que se deslocaram ao hospital.

Aos inspectores disse apenas lembrar-se que tudo se sucedeu rapidamente e sublinhou desconhecer por completo a identidade do indivíduo que disparou sobre ele. Salientou ainda não saber quais as razões pelas quais tudo terá acontecido.

Nas imediações do bar, a notícia correu num ápice e apanhou a maioria dos comerciantes de surpresa. "Abri a loja às 07h00 e já nada vi. O bar já estava fechado. Só soube depois pelos clientes", contou Lara Rodrigues, dona de uma retrosaria onde algumas das mulheres que trabalham no estabelecimento costumam comprar lingerie.

"Quando cheguei perto das 06h00 ainda encontrei vários carros da PSP e da PJ à porta.Depois disseram que alguém tinha sido baleado", disse Maria Barbosa, vendedora no mercado.

A PJ continua a efectuar diligências no sentido de encontrar o suspeito.

PJ NÃO ABRIU INQUÉRITO INTERNO

APolícia Judiciária ainda não abriu qualquer inquérito interno à actuação dos ex-responsáveis da Directoria do Porto, acusados publicamente de terem feito uma investigação paralela à equipa de Helena Fazenda, no âmbito das investigações aos crimes na noite. O pedido de averiguação havia sido feito pelos próprios que queriam ver a sua actuação avaliada. Garantiam que não tinham cometido qualquer ilegalidade e exigiam uma clarificação da situação que provocou a sua demissão. Recorde-se que em causa esteve uma acção de vigilância a um suspeito que a Polícia Judiciária do Porto terá desencadeado.

Na mesma acção foi verificado que afinal o indivíduo ia encontrar-se com um investigador da equipa de Fazenda, o que terá sido entendido como ‘espionagem’. Os elementos da PJ do Porto negaram-no, mas Alípio Ribeiro, director nacional, acabou por pedir que se demitissem. Só Vítor Guimarães, ex-número um do Porto, foi depois ouvido pelo PGR.

PRESO SUSPEITO DA 'NOITE BRANCA'

Fernando ‘Cavadora’, um dos suspeitos detidos no âmbito da operação ‘Noite Branca’ e que foi indiciado pela PJ do Porto por associação terrorista, voltou ontem a ser detido, agora pela PSP. O indivíduo foi apanhado no Bairro do Aleixo e as autoridades imputaram-lhe a posse de mais de cem gramas de heroína e cocaína encontradas no mesmo bairro, numa chamada casa de recuo.

Fernando ‘Cavadora’ acabou ao final da tarde de ontem por ser libertado, tal como as duas mulheres, de 33 e 70 anos, que residem na mesma habitação. Além da droga, as autoridades apreenderam na casa quase 30 mil euros e diversos telemóveis que se presumem ter sido usados como pagamento pelas doses de droga. APSP fez também uma rusga na Pasteleira.

VIOLÊNCIA

NUNO GAIATO

Foi o primeiro crime relacionado com a onda de violência que o ano passado assolou o Porto e terá sido também o rastilho que desencadeou a violência. Gaiato fazia alegadamente parte do grupo da Ribeira e terá sido morto por alguém próximo de ‘Berto Maluco’ - também assassinado. No seu funeral foi jurada vingança.

MORTO POR ENGANO

Aurélio Palha tinha negócios na noite, mas estaria afastado do mundo obscuro da segurança privada. Foi morto à porta do Chic, mas o alvo era ‘Berto’, que então o acompanhava.

LIDERAVA A NOITE

Com a morte de Palha, o grupo de Miragaia cresceu. Acredita a PJ que aumentaram os confrontos com os elementos da Ribeira e que, a determinada altura, era ‘matar ou morrer’. Morreu Ilídio,à porta de casa, abatido pelo grupo de ‘Pidá’.

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