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Correio da Manhã

Portugal
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Buscas na Maia envolvem presidente e vice da autarquia

As buscas efectuadas quinta-feira pela Polícia Judiciária na Câmara da Maia relacionam-se sobretudo com eventuais ilegalidades no licenciamento de um centro comercial e de um hospital privado, envolvendo Bragança Fernandes e António Silva Tiago, presidente e vice-presidente da autarquia, respectivamente.
11 de Dezembro de 2009 às 17:04
Bragança Fernandes, autarca da Maia
Bragança Fernandes, autarca da Maia FOTO: José Rebelo

Fontes conhecedoras do processo disseram, esta sexta-feira, à agência Lusa que está em causa  está uma investigação para apurar a consistência de denúncias que apontam  o presidente da Câmara e o seu vice como suspeitos de terem favorecido dois empreiteiros a troco de contrapartidas, no âmbito de processos de licenciamento.  

Um dos processos reporta-se ao Centro Comercial Vivaci e outro ao Hospital privado do Lidador, um projecto da Sociedade do Hospital Lidador, SA, participado a 10 por cento pela autarquia e Misericórdia e nos restantes 90 por cento pelo Grupo Português de Saúde, pertencente à Sociedade Lusa de Negócios, que detinha o Banco Português de Negócios até à sua nacionalização, em Novembro de 2008.  

A investigação baseia-se ainda numa parte do financiamento  da última campanha eleitoral de Bragança Fernandes, reeleito pelo PSD com  maioria absoluta, na alegada cotitularidade de contas bancárias no estrangeiro por parte de alguns arguidos e supostos favorecimentos de algumas pessoas em processos de admissão de funcionários para a autarquia.

De acordo com as mesmas fontes, citadas pela agência Lusa, a investigação irá ainda centrar-se no administrador de duas, o dono de uma imobiliária, bem como o responsável por um gabinete de arquitectura que já foi funcionário da autarquia em causa.  

As buscas levadas a cabo pela PJ não se limitaram à Câmara Municipal, estendendo-se também ao Fórum da Maia, empresas do ramo imobiliário e, pelos menos, dois gabinetes de arquitectura.  

De acordo com a agência noticiosa, a Câmara Municipal da Maia escusou-se a produzir  qualquer comentário ou informação adicional sobre as buscas.  

Na quinta-feira, a autarquia confirmou que as suas instalações foram  alvo de buscas da Polícia Judiciária do Porto, tendo por base "processos no âmbito de obras particulares".  

A mesma fonte garantiu que "não foram constituídos arguidos".  
 
Luciano Gomes, presidente da Assembleia Municipal, declarou ter sido ouvido pela PJ sobre matéria que não revelou mas que admitiu relacionar-se com a sua função de presidente do  principal órgão autárquico concelhio.

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