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China estabelece três esquadras em Portugal para repatriar cidadãos chineses

Conforme denuncia feita pelo líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, em debate esta quinta-feira no Parlamento.
Correio da Manhã 29 de Setembro de 2022 às 22:33
Polícia chinesa
Polícia chinesa FOTO: Reuters
A polícia chinesa, em coordenação com a associação de chineses no estrangeiro, dirigida por entidades do Partido Comunista Chinês, estabeleceu três esquadras informais em Portugal, para repatriar cidadãos chineses para a China, conforme denuncia feita pelo líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, em debate esta quinta-feira no Parlamento.

João Cotrim Figueiredo disse que se soube, através da ONG Safeguards Defenders, que há duas entidades chinesas que instalaram dezenas de esquadras informais em vários países para repatriar cidadãos chineses.

O documento publicado pela SafeGuard refere que, entre abril de 2021 e julho de 2022, a polícia chinesa "persuadiu" 230 mil fugitivos a regressar à China "voluntariamente" e admitiu que nem todos os alvos cometeram quaisquer crimes.

O país estabeleceu nove países onde os cidadãos chineses já não são autorizados a viver, a menos que tenham "boas razões".

Algumas das ferramentas para as operações de "persuasão" incluem: negar aos filhos dos alvos, que residem na China, o direito à educação, e outras limitações aos membros da família; punir os familiares dos alvos com "culpa por associação" (semelhante à prática norte-coreana).
O documento revela ainda que os familiares na China que não ajudem a polícia a "persuadir" os alvos devem ser investigados e punidos pela polícia.

Nos cinco continentes existem já 54 das referidas "estações de serviço policial" e, no documento, são reveladas três estações em Portugal: uma em Lisboa, no Porto e na Madeira.

Uma nova lei chinesa adotada a 2 de setembro e que entra em vigor a 1 de dezembro, estabelece a extraterritorialidade total sobre cidadãos chineses, a nível mundial, para certos crimes como fraude, fraude nas telecomunicações, esquemas em linha, entre outras. Isto significa que um cidadão chinês a viver em Portugal não pode ser julgado no País e terá que responder pelos crimes perante as autoridades chinesas.
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