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Correio da Manhã

Portugal
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Chineses criticam Portugal

O Governo português excluiu a hipótese de receber oficialmente Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama que chega hoje a Lisboa para uma visita de cinco dias, à semelhança do que aconteceu em 2001 quando o líder espiritual do Tibete esteve em Portugal pela primeira vez, tendo visitado Lisboa, Porto e o Santuário de Fátima.
12 de Setembro de 2007 às 00:00
Chineses criticam Portugal
Chineses criticam Portugal FOTO: Andreu Dalmau
Na época, a República Popular da China repudiou a visita do seu maior inimigo. Portugal, que mantém relações diplomáticas com aquele país asiático desde 1979 e transacções comerciais que simbolizam milhares de euros, quer evitar conflitos.
Porém, Dalai Lama (agraciado em 1989 com o Nobel da Paz pelos esforços para encontrar autonomia e independência para o Tibete, de forma não violenta) vai ser recebido amanhã na Assembleia da República pelos deputados que integram a Comissão dos Negócios Estrangeiros – o que gerou fortes críticas por parte do Governo chinês – e por Jorge Sampaio, na qualidade de alto representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações. No último dia da visita, domingo dia 16, está agendado um encontro inter-religioso na Mesquita de Lisboa e uma sessão pública no Pavilhão Atlântico, subordinada ao tema ‘O Poder do Bom Coração’.
Há seis anos, quando o líder religioso do Tibete visitou Lisboa, Almeida Santos, então presidente da Assembleia da República, não permitiu que aquele entrasse em São Bento e Jorge Sampaio, na altura Presidente da República, encontrou-se com Dalai Lama informalmente no Museu Nacional de Arte Antiga.
No site da embaixada da República Popular da China em Portugal não existe referência a esta visita. Desde 1993 que o líder espiritual não tem contactos com Pequim. Dalai Lama quer a independência do Tibete, província anexada pela China em 1959. “Ele representa as forças políticas que visam a desagregação da pátria chinesa”, disse ontem Jiang Yu, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
PEFIL
Lhamo Dhondrub nasceu a 6 de Julho de 1935 no seio de uma família de camponeses. Com dois anos foi reconhecido como sendo a reencarnação do XIII Dalai Lama e levado de casa dos pais para a residência dos Dalai Lama onde recebeu formação. Aos quatro anos foi entronizado e recebeu o nome de Tenzin Gyatso. Aos 15 foi aclamado líder espiritual do Tibete.
FACTOS EM NÚMEROS
- 1989 foi o ano em que Tenzin Gyatso foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz pelos seus esforços em alcançar de forma pacífica uma solução para o Tibete.
- 400 milhões de pessoas em todo o Mundo seguem a filosofia Budista que se divide em várias correntes.
- 10 euros é o preço mínimo do ingresso para a conferência ‘O Poder do Bom Coração’, que se realiza domingo, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
- 52 países foram visitados por Dalai Lama. Este número está em constante actualização na medida em que o líder tibetano viaja várias vezes por ano.
- 800 crianças tibetanas a viver na Índia e no Nepal são apadrinhadas e ajudadas à distância por portugueses, no âmbito do programa Siddharta.
- 3 objectivos de vida pautam a acção do Dalai Lama: defesa dos valores humanos; defesa da harmonia entre religiões e o bem-estar do povo tibetano.
- 5 dias é o tempo desta segunda visita de Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama, a Portugal. Chega hoje e parte no domingo.
RELIGIÃO
Religião. Dalai Lama defende a harmonia entre as diferentes tradições religiosas. Foi recebido pelo Papa João Paulo II e quando esteve em Portugal, em 2001, deslocou-se ao Santuário de Fátima. Nessa altura encontrou-se com Jorge Sampaio, então Presidente da República.
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