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Correio da Manhã

Portugal
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Ao minuto Atualizado às 13:56 | 12/05

Da "rebeldia" ao "inegável serviço público" de Rui Pinto: Tudo o que já foi dito por Luís Neves e Ana Gomes

Diretor nacional da PJ diz que o arguido achava que a sociedade seria melhor se crimes de branqueamento e fraude fiscal fossem investigados.
Débora Carvalho e Marta Ferreira 12 de Maio de 2021 às 11:15
Ana Gomes no julgamento de Rui Pinto
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Ana Gomes no julgamento de Rui Pinto
Rui Pinto
Ana Gomes no julgamento de Rui Pinto
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Ana Gomes no julgamento de Rui Pinto
Rui Pinto
Ana Gomes no julgamento de Rui Pinto
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Luís Neves, diretor nacional da PJ
Ana Gomes no julgamento de Rui Pinto
Rui Pinto
A ex-eurodeputada Ana Gomes e o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, vão ser esta quarta-feira ouvidos em tribunal como testemunhas arroladas pela defesa de Rui Pinto em mais uma sessão do julgamento do processo 'Football Leaks'.

Entre as dezenas de pessoas chamadas a depor pelos advogados do criador do 'Football Leaks', no Tribunal Central Criminal de Lisboa, a antiga eurodeputada e ex-candidata presidencial é, porventura, um dos rostos mais mediáticos e aquele que mais ativamente se envolveu no apoio ao principal arguido do processo, não só pelas suas revelações sobre o mundo do futebol, mas também por ter estado na origem das informações que originaram depois o caso 'Luanda Leaks'.
Ao minuto Atualizado a 12 de mai de 2021 | 13:56
12:36 | 12/05

Ana Gomes sobre Luís Filipe Vieira: "Funcionou como um testa de ferro de um banqueiro que até hoje não foi incomodado"

Ana Gomes à saída do tribunal foi abordada pelos jornalistas falou sobre a ligação entre o futebol e os esquemas de lavagem de dinheiro.

Para a ex-eurodeputada, Luís Filipe Vieira "funcionou como um testa de ferro de um banqueiro que até hoje não foi incomodado, a desfrutar da riqueza que acumulou, enquanto há milhares de portugueses lesados pelo banco que ele chefiava", afirma referindo-se a Ricardo Salgado e à queda do BES.

Ana Gomes defende que "não há dúvida nenhuma de que a indústria do futebol se presta a ser uma conduta para o branqueamento de capitais e esquemas preversos de máfias e tríades para lavagem de dinheiro obtido de processos sujos".
12:07 | 12/05

Ex-eurodeputada revela o que motivava Rui Pinto

"Quando o encontro pela primeira vez, está muito revoltado e relutante quanto à sua colaboração com a polícia. Eu incitei-o sempre a colaborar com a polícia", começa por explicar a antiga diplomata.

Ana Gomes afirma que o que move e motiva o hacker é "o desejo de verdade e justiça". 

"Falámos imenso do combate à corrupção. Falámos de casos que iam para lá do futebol. Angola. Ele deu-me algumas indicações. Sabia imensa coisa sobre a engenharia de certos escritórios de advogados para fuga ao fisco e lavandaria para os angolanos. Não falámos só de corrupção associada ao futebol", continua a ex-candidata presidencial.

Sobre a visão de Rui Pinto das autoridades, Ana Gomes afirma que o hacker "tinha a ideia de que não faziam nada perante as denúncias".

Disse ainda que Rui Pinto prestou um "inegável serviço público".
12:02 | 12/05

"Era extremamente culto para a média nacional", diz Ana Gomes sobre o arguido

Voltando ao processo em causa, Ana Gomes diz que o caso "Luanda Leaks mudou tudo" Diz que teve o "interesse avassalador de várias autoridades e que as autoridades portuguesas não podiam mais ignorar". 

Revela que conheceu Rui Pinto na prisão, quando este estava no estabelecimento anexo à PJ, e que foi visitá-lo quatro vezes.

"Achei que era extremamente culto para a média nacional. Pediu livros, um deles das experiências nazis. Pareceu-me que ele desenvolveu as suas capacidades informativas devido à sua infância triste, porque perdeu a mãe", revela Ana Gomes. 
11:52 | 12/05

Ana Gomes ataca Luís Filipe Vieira em relação à sua inquirição na Assembleia da República

É a vez da ex-eurodeputada Ana Gomes ser ouvida. A ex-candidata presidencial ataca Luís Filipe Vieira em relação à sua inquirição na Assembleia da República. 

Ana Gomes foi de imediato interrompida pela juíza que lhe pediu para se cingir ao processo em causa, mas a ex-eurodeputada mostrou-se muito indignada com o que disse o presidente do Benfica e o facto de ter evocado a qualidade de presidente do clube nos negócios com o BES, então presidido por Ricardo Salgado.

A ex-candidata presidencial revelou-se chocada quando ouviu as declarações e aponta que o que está em causa são os esquemas de lavagem de dinheiro presentes no futebol, seja em "clubes grandes ou pequeninos".
11:24 | 12/05

Luís Neves defende "amadurecimento" de Rui Pinto

Luís Neves fala ainda da mudança de comportamento do hacker: "Acho que ele interiorizou que o seu comportamento não era adequado. Foi preso. Nunca pensou nisso. Há um amadurecimento".

Durante o inquérito, explica a testemunha, Rui Pinto, "foi correto e educado mas nunca quis falar" com as autoridades. "Tinha uma ideia romântica. Rebeldia", explica. 
11:21 | 12/05

Procuradora questiona vida do hacker na Hungria

A procuradora questiona a testemunha se po arguido tinha bens na Hungria. Luís Neves diz que Rui Pinto "tinha muito poucos bens com ele, vivia uma vida modesta, até em termos alimentares".

"Vivia sozinho?", questiona a procuradora. "Tinha uma companheira", responde o diretor nacional da PJ. 

"Todas as investigações contra Rui Pinto estão suspensas?", questiona. "Estão todas ou grande parte ali", responde a testemunha. 
11:17 | 12/05

Da relutância em falar à mudança "radical" de Rui Pinto

Advogado Teixeira da Mota questiona Luís Neves sobre o trabalho de Rui Pinto. Se o continua a fazer e de forma "genuína". 

O diretor nacional da PJ diz que sim, que "mudou completamente a atitude na decisão instrutória".

"As coisas mudaram do dia para a noite", assume Luís Neves. 

"Pessoa útil para sociedade?", questiona o advogado. "Mudou radicalmente. Mudou de atitude. Tem tido colaboração efetiva e importante. No conhecimento genuíno que tem e procura transmitir. E também do ponto de vista preventivo", responde Luís Neves.
11:06 | 12/05

"Incomodava-o bastante questões de desigualdade e do branqueamento", diz Luís Neves sobre o hacker

O diretor nacional da PJ descreve a colaboração de Rui Pinto com a justiça e como ajudou a PJ a desincriptar os discos rígidos apreendidos na Hungria. 

Luís Neves elogia Rui Pinto pela memória e conhecimento que possui e pela preocupação do arguido "numa vertente muito social". 

"Tínhamos muitos discos que não podiam ser abertos. Muitos jamais conseguíriamos abrir. Com a sua intervenção os discos foram abertos", afirma. 

"Para além da informação de que é detentor, tem uma grande memória. Informaticamente é uma pessoa muito evoluída, capaz de estabelecer conexões nas matérias económicas. Recordo-me de livros, ligados com negócios do futebol, do Luanda Leaks, da área bancária. Percebeu-se que era uma pessoa com conhecimento e preocupação nesta área numa vertente muito social. Incomodava-o bastante questões de desigualdade e do branqueamento e fraude fiscal. Disse muitas vezes que a sociedade podia ser diferente se se investigasse estas áreas", conclui o diretor nacional da PJ.
10:49 | 12/05

"O arguido vivia com o que tinha, dois pares de calças e uns ténis": Diretor nacional da PJ sobre Rui Pinto

Luís Neves, o Diretor Nacional da PJ, afirma conhecer Rui Pinto a partir da reta final da instrução, altura em que o hacker começou a colaborar com a PJ. Recorda que toda a sua vida foi na unidade de contraterrorismo e lembra como foi feita a detenção do hacker na Hungria. 

"Um mandado de detenção europeu era uma preocupação. Fizemos uma aposta muito grande para podermos localizá-lo. Fiquei preocupado sobretudo com alguns tipos de ameaça que podiam advir", começa por explicar Luís Neves. 

O diretor nacional da PJ revela que Rui Pinto vivia em "condições modestas" e com "algumas dificuldades", com dois pares de calças e uns ténis.

"Vivia num sítio modesto e algumas dificuldades. Foi a decisão da colega húngara que levou à extradição. Até à instrução não foi possível contacto. Ele vivia com dificuldades. Vendo depois interesses que se moveram com a divulgação de informações, gerou lucros... vivia em condições particularmente difíceis. Eu não conheço nada do processo. O que posso dizer é que quando o tribunal de instrução nos questiona se tínhamos capacidade de colocar [na casa abrigo ou programa de proteção de testemunhas]... eu pessoalmente falei com o arguido várias vezes. Chegou a haver o fechamento. Havia o fechamento", acrescenta.

Luís Neves descreve o silêncio inicial do hacker e a relutância em falar. 

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