Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

"Ela começou a espumar da boca": O relato emocionante do filho de Márcia que assistiu à agonia de Valentina

Menino protege a mãe, diz que foi Sandro que agrediu violentamente Valentina e que as marcas nas pernas eram visíveis.
Correio da Manhã 17 de Fevereiro de 2021 às 18:51
Márcia, madrasta de Valentina, chega ao tribunal de Leiria
Márcia, madrasta de Valentina, chega ao tribunal de Leiria FOTO: Rui Miguel Pedrosa / Lusa
Sandro e Márcia, pai e madrasta de Valentina, estiveram esta quarta-feira no Tribunal de Leiria por estarem acusados de homicídio qualificado e profanação de cadáver da menina em maio de 2020.

O filho de Márcia, irmão de afeto da menina, deu o seu depoimento às autoridades na altura em que ocorreu o crime e a gravação foi esta quarta-feira ouvido no tribunal.

"Eu acordei de manhã e o Sandro estava a bater na Valentina", revelou o menino. "O Sandro estava a dar-lhe estalos com força, foram umas dez bofetadas", diz ainda.

"Dizia que ela se portava mal e só dizia porcaria, ligou a água a ferver e meteu a menina lá dentro", continua.

Enquanto se ouve o depoimento do menino, Márcia chora compulsivamente. 


"A minha mãe foi lá para ele parar, ela caiu da banheira e bateu com a cabeça", acrescenta. O menino diz ainda que Márcia queria chamar o INEM mas que Sandro não quis, que era entre ele e a mãe do menino.

Segundo o relato do menino, Sandro terá ameaçado que, se dissesse alguma coisa, ficaria sem ver a mãe e os irmãos. "A minha mãe chorava, tentava convencê-lo a chamar ajuda... a Valentina deixou de se mexer", continua a criança.

"Passadas algumas horas ela não se mexia, e depois começou a espumar pela boca", ouve-se na sala de audiência.

"A minha mãe estava desesperada, o Sandro andava para trás e para frente e não sabia o que fazer, a minha irmã queria ir brincar para sala e o Sandro não deixou... Disse que Valentina estava a dormir", continua.

Depois, na altura do almoço, o menino refere que começou a chorar. Na audição ouve-se o choro da criança enquanto conta o que aconteceu.

"Ele disse que era o pai da Valentina e mais tarde disse à minha mãe que tínhamos que levar o cadáver dela. A minha mãe vestiu-a. Puseram-na no carro e não sei para onde a levaram", conta o menino.

O menino descreve ainda o ambiente que se vivia na casa da família. Valentina era como que um elemento exterior do núcleo, como se não encaixasse. A menina dormia na sala, não tinha sequer direito a dormir num dos quartos.

A criança descreve ainda o medo que Valentina tinha da água quente. "Quando os vi na casa de banho pensei logo que fosse isso", descreve. "Eu e a minha começamos a suplicar por ajuda", adianta. 

O menino, atualmente com 13 anos, descreve agora a ida do casal à lavandaria. Tudo indica que esta tenha sido para lavarem a roupa de forma a se desfazerem de qualquer prova.

Diz que reparou que "algo estava diferente" quando viu Valentina a espumar pela boca, que ligou para a mãe e "passado algum tempo eles voltaram para casa".

Quando chegaram, relata o menino, Sandro "tapou-lhe a cara com o cobertor".
Márcia Sandro Tribunal de Leiria questões sociais maus-tratos crime lei e justiça tribunal julgamentos
Ver comentários