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Correio da Manhã

Portugal
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Emboscado por agentes

Carlos Gomes, de 45 anos, quer saber quem o seguiu e montou uma emboscada na madrugada de ontem, no Alto das Necessidades, Azeitão. “Apontaram-me armas à cabeça, despiram-me e revistaram o carro todo”, conta.
16 de Janeiro de 2008 às 00:00
“Meia hora depois, quando já estavam dentro dos carros, um deles mostrou-me um crachá da polícia e disse para ir apresentar queixa à esquadra.”
Assustado com o sucedido, Carlos Gomes não é capaz de dizer se o crachá era da PSP ou da PJ: “Não deu para perceber. O sujeito exibiu-o em jeito de gozo. Depois disso foram-se embora sem levar nada.”
A estranha emboscada começou por volta da meia-noite, ainda em Setúbal, quando Carlos Gomes saiu do trabalho, junto aos ferry-boat para Tróia. Momentos depois, já na Avenida Luísa Todi, apercebeu-se de um carro que o seguiu “de perto durante 12 quilómetros”. Na Aldeia Grande, antes de chegar a Azeitão, tomou um atalho que termina no Alto das Necessidades. “Nesse caminho há uma ponte estreita e estava um carro a cortar metade da estrada. Ainda o contornei, mas mais à frente estavam outros dois carros e aí já não dava para passar.” “Ainda antes de parar, saíram quatro tipos armados e dois deles saltaram em cima de mim. Só perguntavam por um indivíduo negro, a arma e a pasta. Estavam muito exaltados e fizeram tudo de forma frenética, sem nunca me deixar falar.”
Minutos depois terminava “o maior susto” que alguma vez teve na vida, mesmo tendo em conta que Carlos Gomes já foi proprietário de três bares e de uma discoteca, “negócio onde por vezes há divergências”.
Carlos Gomes quer agora “explicações sobre o que aconteceu”. “Perseguiram-me, revistaram-me e apontaram-me armas à cabeça e ninguém assume responsabilidades”, questiona.
Ontem de manhã, Carlos Gomes dirigiu-se à esquadra da PSP na Avenida Luísa Todi. “Foi terrível. Os dois agentes que estavam lá riram-se na minha cara.”
Contactadas pelo CM, tanto a PSP de Setúbal como a Polícia Judiciária afirmaram desconhecer qualquer situação do género, garantindo que não havia qualquer diligência marcada para a madrugada de ontem.
Sem respostas, Carlos Gomes promete apresentar queixa no Ministério Público: “Quero saber quem foram os agentes envolvidos na operação e os dois polícias da esquadra vão ter de explicar porque se riram em vez de registar a queixa conta desconhecidos.”
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