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Correio da Manhã

Portugal

Faltavam as pulseiras

O Hospital de S. João, no Porto, já concluiu que a troca de dois bebés – uma menina de cinco dias e um menino de seis dias – ocorrida anteontem no Serviço de Obstetrícia se deveu à quebra de uma das normas de segurança: “a não manutenção da pulseira identificadora até ao momento da alta”.
13 de Maio de 2006 às 00:00
A denúncia da troca foi feita pelo pai de um dos bebés ao aperceber-se que lhe tinham entregue uma criança de sexo diferente quando lhe mudava a fralda.
Para esta situação contribuiu o facto dos recém-nascidos terem feições semelhantes e de já não possuírem as pulseiras identificadoras. E foi o facto de terem retirado estas pulseiras antes dos pais dos bebés os terem já à sua guarda que permitiu que a confusão de identidades se verificasse.
Do inquérito preliminar mandado instaurar pelo hospital, consta que a troca ocorreu após os bebés terem alta do sector de fototerapia do Serviço de Obstetrícia, onde permaneceram durante cinco e seis dias por padecerem de icterícia. A despeito de ter já sido identificado qual o erro cometido – depois de terem sido ouvidos vários funcionários do hospital e os pais de ambos os bebés envolvidos na troca–, o Conselho de Administração (CA) reitera que “as averiguações continuarão até ao completo apuramento das responsabilidades objectivas”.
O CA do hospital afirma também que assume a plena responsabilidade pelo sucedido e afirma-se convicto das normas de segurança instituídas .
SEGURANÇA PREOCUPA ADMINISTRAÇÃO
O chefe do Serviço de Obstetrícia do Hospital de S.João, Nuno Montenegro, confirmou ontem ao CM que a troca dos recém-nascidos foi desfeita no mesmo dia por iniciativa do hospital.
“Depois de concedida a alta aos bebés, os pais foram chamados à secretaria do hospital para os respectivos procedimentos que autorizam a saída das crianças”, afirmou Nuno Montenegro, acrescentando que “mesmo na portaria tiveram de mostrar os boletins de saúde dos recém-nascidos – azul no caso do rapaz, cor de rosa para a menina – ao segurança para poderem sair”.
Segundo o responsável pelo Serviço de Obstetrícia do ‘S. João’, estes procedimentos revelam bem o quanto a administração se preocupa com a segurança no hospital.
Na altura em que Nuno Montenegro falava aos jornalistas, ainda não estava concluído o inquérito preliminar que haveria de atribuir a causa da troca ao facto de terem retirado as pulseiras identificadoras aos bebés.
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