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Correio da Manhã

Portugal
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Família e amigos de português morto em França organizam marcha branca

Movimento acontece contra libertação de um dos suspeitos dos disparos da bala perdida que matou Carlos Soares.
Lusa 27 de Abril de 2021 às 10:16
Carlos Soares
Carlos Soares FOTO: Direitos Reservados
A família e os amigos de Carlos Soares vão organizar na sexta-feira uma marcha branca na cidade de Pontoise, arredores de Paris, contra a libertação de um dos suspeitos dos disparos da bala perdida que matou o português no início de abril.

"[A marcha] É pelo valor da vida humana. Temos dois jovens que foram mortos num bairro complicado, mas onde as pessoas se ajudam e há uma verdadeira comunidade. Esta comunidade, tal como a viúva de Carlos e toda a sua família, não compreende porque é que uma pessoa implicada neste crime é libertada, sem qualquer controlo judiciário", explicou Sandrine Parise-Heideger, advogada da família de Carlos Soares, em declarações à agência Lusa.

O Tribunal de Versalhes libertou na semana passada um dos três suspeitos no homicídio do português, evocando os perigos da covid-19 para o homem mais velho, pai de um dos outros suspeitos. Dos três suspeitos detidos inicialmente, pelo menos dois terão origens portuguesas.

"Este homem, aparentemente, tem o direito de sair armado, ir a um bairro, ameaçar as pessoas, saber que o filho se ia vingar e para a justiça francesa não há problema. Ele não é cúmplice", acrescentou Sandrine Parise-Heideger.

A família de Carlos Soares tem ainda receio que o sujeito, que não tem obrigação de permanecer no território francês, fuja para Portugal.

Tanto o pai como o filho estariam armados e os dois dispararam naquela noite, não se sabendo ainda de que arma saiu a bala que acabou por ferir mortalmente Carlos Soares. 

Como fazia habitualmente, o português tinha passado para visitar amigos naquela noite quando uma camioneta atropelou voluntariamente um jovem, que acabou também por morrer, e um dos indivíduos no veículo saiu e começou a disparar com uma arma de fogo. Carlos foi atingido por uma das balas e não resistiu aos ferimentos, tendo morrido nessa mesma noite no hospital. A razão deste duplo homicídio terá sido o alegado roubo de uma mota.

A viúva de Carlos Soares, Pauline, espera poder continuar a contar com presença e solidariedade dos portugueses neste Marcha Branca em homenagem ao seu marido.

"Portugal não é o meu país, é o país do meu marido, mas tornou-se o meu país do coração. As pessoas são autênticas, acolhedoras, calorosas. O facto de o Presidente [da República] me ter ligado às 23h00, mesmo o Presidente francês não o fez. A França tem muito a aprender com Portugal. Admiro os portugueses porque vocês são solidários", disse a viúva.

A marcha foi declarada às autoridades municipais e de segurança da cidade de Pontoise, partindo na sexta-feira às 16h30 de Marcouville, o bairro onde Carlos nasceu e onde acabou por ser abatido a tiro.

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