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Correio da Manhã

Portugal
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Idosa inglesa condenada por traficar um milhão de euros em cocaína morre na cadeia de Tires

Mulher de 72 anos e o marido foram apanhados com malas de droga num cruzeiro em Lisboa.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 17 de Outubro de 2021 às 10:45
Roger e Susan Clarke
Roger e Susan Clarke FOTO: Direitos Reservados

Uma idosa inglesa, condenada em 2019 por ter sido apanhar a traficar cocaína, avaliada em um milhão de euros com o marido, de 74 anos, morreu na cadeia portuguesa onde estava a cumprir pena.

De acordo com o Mirror, Susan Clarke sofria de cancro da mama e acabou por não resistir à doença, morrendo na cadeia onde estava a cumprir oito anos de prisão, longe do marido. Os dois foram apanhados em Santa Apolónia, em Lisboa, em 2018. Embarcaram num cruzeiro que saiu de Inglaterra e parou em Santa Lucia, nas Caraíbas. Terá sido nessa altura que Roger, de 74 anos, recebeu quatro malas com um total nove quilos de cocaína.

Na altura do julgamento o antigo cozinheiro disse ter ido a uma plantação de fruta, para fechar um negócio para um amigo chamado Lee. As malas foram-lhe entregues para posterior venda e o casal negou saber que as mesmas tinham droga. A justificação não colheu frutos perante a juíza, que condenou cada um dos idosos a oito anos de prisão.

A mulher chegou a pedir transferência da Cadeia de Tires, onde estava presa, para a cadeia do Funchal, na Madeira, alegando que a prisão em que estava tinha uma infestação de baratas e ratos. O pedido não terá sido aceite.

Antes de morrer, Susan ainda conseguiu ver o marido pela última vez. Segundo relata fonte da família à imprensa inglesa, a mulher estava "em agonia" e as suas últimas horas foram "uma tortura". Estaria planeado que a mulher fosse transferida para uma prisão no Reino Unido, para cumprir o resto da pena perto da família.

"Ela estava a lutar contra o cancro, mas os médicos em Portugal decidiram que não havia nada a fazer, por isso pararam o tratamento. Ela estava com tantas dores. O Roger achava que tinham ganho a batalha para a trazer de volta para o Reino Unido, e ficou devastado ao saber que isso não seria possível", revela um familiar.

O Ministério Público sustentou, durante todo o caso, que o casal utilizou pelo menos quatro cruzeiros, todos com viagens a terminar no Reino Unido, para traficarem droga, durante dois anos. Foi estimado que os dois terão recebido mais de 25 mil euros por cada viagem.

"Deram-lhe uma sentença de morte. Morreu numa prisão no estrangeiro, longe de todos os que a amavam", lamentou a família.

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