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Correio da Manhã

Portugal
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Inquérito ao BES arquivado

A actuação dos atiradores especiais da PSP no assalto armado ao BES de Campolide, Lisboa, foi considerada legal e em legítima defesa dos reféns pelo Ministério Público (MP). O despacho está pronto e já é do conhecimento da hierarquia do MP. A investigação autónoma proposta pela Polícia Judiciária à actuação da PSP no assalto que resultou na morte de um dos suspeitos e ferimentos graves no segundo indivíduo não vai, assim, concretizar-se.

19 de Outubro de 2008 às 21:00
Neutralização dos sequestradores pela PSP foi investigada
Neutralização dos sequestradores pela PSP foi investigada FOTO: Miguel A. Lopes, Lusa

"Era uma proposta de rotina e um procedimento normal da PJ", disse ao CM fonte desta polícia. A PJ queria interrogar os snipers para confirmar que a ordem de disparar havia sido dada pela hierarquia, prevendo-se que aqueles interrogatórios fossem feitos com os polícias na qualidade de testemunhas.

A magistrada do Ministério Público que titula o inquérito entendeu de forma diferente e procedeu, ela própria, à investigação autónoma. Ao contrário do defendido pela Judiciária ouviu as hierarquias da PSP na operação e o negociador, preparando-se agora para arquivar o inquérito, já que aqueles crimes de homicídio praticados pelos atiradores – um tentado e outro consumado – não são punidos por terem sido cometidos em legítima defesa. Os operacionais ouvidos pelo MP explicaram os detalhes técnicos da operação, as razões de atirarem a matar e como se processa a autorização.

"Uma das causas da exclusão da ilicitude é precisamente essa. O que aconteceu neste caso foi uma situação igual a tantas outras. Morreu uma pessoa, houve um segundo ferido e é necessário abrir um inquérito. Apurando-se que a actuação da PSP foi legítima, como nunca foi posto em causa, o processo é arquivado", disse ao CM um responsável da Judiciária, lembrando que o mesmo acontece quando os homicídios são cometidos por investigadores daquela força policial.

A PJ vai concentrar-se apenas no processo que deverá resultar na acusação do sobrevivente, pelo assalto e tentativa de homicídio.

PORMENORES

TIROS NA CABEÇA

Os dois sequestradores apontaram armas à cabeça dos funcionários do banco. Durante minutos, a ameaça foi transmitida em directo pela televisão. APSP acabou com o assalto quando disparou contra os indivíduos.

PRISÃO PREVENTIVA

Wellington sobreviveu à intervenção da PSP depois de ter sido atingido no rosto.Esteve vários dias internado na cadeia-hospital de Caxias e foi formalmente detido quando ainda estava em convalescença. Continua em prisão preventiva.

OUTROS ASSALTOS

A investigação das autoridades permitiu referenciar o duo de brasileiros noutros assaltos. Em nenhuma situação tinham usado de tal violência.

HORAS DE ANGÚSTIA

No assalto ao BES, o duo começou por fazer seis reféns. Libertaram quatro e mantiveram o gerente e uma funcionária retidos.

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