Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

Irmã de Djaló morta em vingança de rixa de gangues

Açucena Patrícia, de 17 anos, foi colhida por jovem, em rua da Moita fechada ao trânsito.
Miguel Curado, Sofia Garcia, José Lúcio Duarte e Rita Monteiro 16 de Setembro de 2018 às 01:30
A carregar o vídeo ...
Jovem estava nas festas da Moita com os amigos quando foi atropelada.
Açucena Patrícia e os amigos deslocaram-se, na sexta-feira à noite, às festas da Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita. A boa disposição da jovem de 17 anos, irmã do ex-futebolista do Sporting e Benfica, Yannick Djaló, ficou patente nos vídeos deixados nas redes sociais. No entanto, os bons momentos viriam a culminar em tragédia.

Já no sábado, pelas 02h30, Açucena e os amigos foram atropelados por um jovem de ascendência africana, de 21 anos, que entrou a conduzir a alta velocidade numa rua cortada ao trânsito, à procura de atingir quem o tinha agredido numa rixa, momentos antes, envolvendo membros de gangs rivais. A irmã de Yannick Djaló e os cinco amigos foram colhidos violentamente, quando já estariam a regressar a casa. Fonte próxima da família disse ao CM que um irmão de Açucena e Yannick viu a jovem de 17 anos a ser colhida.

Após o atropelamento, ocorrido na rua Dr. Manuel Evaristo, o carro embateu contra postes de madeira instalados para as largadas de bois. Açucena foi projetada contra uma parede, já na travessa do Açougue. Um ex-bombeiro, residente nas imediações e que ouviu o estrondo, saiu de casa para ir assistir a vítima. Começou por lhe conter uma hemorragia que começava a sufocá-la e estabilizou-a antes da chegada da viatura médica do INEM. A jovem foi transportada de urgência para o Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde veio a morrer já ao princípio da manhã.

Os cinco amigos (dois rapazes e três raparigas), entre os 16 e os 25 anos, sofreram ferimentos ligeiros e receberam assistência no hospital do Barreiro. O agressor, um jovem do bairro da Cidade Sol, já tinha ficha policial. Ainda tentou fugir após o atropelamento, mas foi preso. Aparentava estar alcoolizado e, no posto da Moita, fez testes de consumo de álcool e droga. Presente a um juiz no Tribunal do Barreiro foi-lhe decretada a medida mais gravosa, a prisão preventiva.

Condutor com ficha policial preso e indiciado por onze homicídios 
O juiz de instrução criminal do Tribunal do Barreiro, que este sábado de manhã interrogou o jovem, de 21 anos, responsável pelo atropelamento mortal de Açucena Patrícia, rapariga de 17 anos, irmã de Yannick Djaló, e por infringir ferimentos noutros cinco amigos, não teve dúvidas em aplicar-lhe a medida de coação mais grave: prisão preventiva.

O jovem, já com ficha policial junto das forças de segurança da zona por crimes como furto ou roubo, envolveu-se ao princípio da madrugada de sábado em confrontos físicos com membros de gangs africanos da zona. Tinha carta há apenas 3 meses. Enraivecido, abandonou a rua Dr. Manuel Evaristo onde decorreram as agressões e foi buscar o carro, um Skoda, adquirido em regime de Leasing por familiares. Assim que viu uma barreira policial de cinco militares da GNR que impediam o trânsito na referida artéria, acelerou para os atropelar. Os guardas tiveram de saltar para escapar ilesos.

Mal se livrou dos agentes da autoridade, o jovem voltou a acelerar e só parou ao atropelar o grupo onde seguia Açucena Patrícia e os amigos. O Skoda bateu violentamente contra uma vedação de madeira, construída para as largadas de touros habituais nas festas da Moita. Três militares da GNR, de policiamento gratificado, impediram a fuga. Foi tirado do carro para evitar que populares o agredissem devido à violência do acidente. A GNR levou, ao juiz do Tribunal do Barreiro, prova suficiente para o indiciar num crime de homicídio qualificado, dez de homicídio qualificado tentado, e um de condução perigosa.

"Ainda não consigo acreditar"
Yannick Djaló, futebolista internacional português de 32 anos, formado no Sporting e que passou também pelo Benfica, ficou em choque com a notícia da morte de Açucena Patrícia. A jogar no clube Ratchaburi Mitr Phol FC, da primeira Liga da Tailândia, o jogador viajou para Portugal. No Instagram escreveu assim: "Preferia que sentisses o que estou a sentir e trocássemos de lugar, minha Açu... Palavra nenhuma consegue descrever a dor que sinto e quão pesado está o meu coração. Ainda não consigo acreditar."

"Inconsciente e com hemorragias"
Francisco Jesus, bombeiro e morador na rua do acidente ouviu o estrondo e saiu de casa a correr para tentar ajudar Açucena. "Ela estava inconsciente, tinha uma fratura no braço esquerdo, várias hemorragias e estava em sufocação", contou ao CM.

Festas da Moita têm fim previsto para domingo
Apesar do desfecho trágico da madrugada de sábado, com um morto e cinco feridos, as festas em honra da Nossa Senhora da Boa Viagem, Moita, prosseguiram de acordo com o programa. Este sábado decorreram novas largadas de touros. As festas terminam este domingo.

SAIBA MAIS
1217
Foi o ano em que, após a reconquista de Alcácer do Sal aos mouros, se dá o povoamento da faixa ribeirinha na qual se integra o atual território da Moita.

Alhos Vedros
Foi durante muitos anos mais importante do que a Moita. No século XIX, perde autonomia. O concelho da Moita foi extinto em 1895, mas voltou a recuperar este estatuto em 1898.

Devoção
Nossa Senhora da Boa Viagem é a padroeira da Moita.

Festa brava
Em 2001, na Monumental Daniel do Nascimento, nas festas da Moita, Pedrito de Portugal matou um toiro.
Ver comentários