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Correio da Manhã

Portugal
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Alegações finais adiadas no caso da mãe que matou filho autista de 17 anos

Fátima Martinho é acusada de atirar o filho para um poço e de o ter afogado, em julho do ano passado.
Correio da Manhã e Lusa 3 de Setembro de 2021 às 11:55
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Caso da mãe que matou filho autista de 17 anos chega hoje às alegações finais

Estava marcado para esta sesta sexta-feira o julgamento com as alegações finais da defesa e do Ministério Público no caso Fátima Martinho, a mulher que matou o filho autista de 17 anos, no Tribunal de Mirandela. Contudo, durante a sessão o Ministério Público decidiu adiar as alegações finais para o dia 10 de setembro e pediu para que a arguida volte a ser ouvida, para mais esclarecimentos.

O modelo foi solicitado pelo advogado de defesa da arguida que requereu o julgamento com a participação popular, uma solução que a lei portuguesa prevê apenas para os crimes mais graves.

Além dos três juízes que compõem o coletivo, há também quatro jurados a analisarem a prova produzida e na base da qual irão decidir em conjunto sobre a culpa e a pena a aplicar à arguida.

A defesa apresentou esta manhã no tribunal faturas de medicação do filho, Eduardo, para provar que são falsas as alegações de que não aviava as receitas médicas do jovem autista.

Uma técnica que testemunhou esta sexta-feira pela arguida alertou que toda a sociedade falhou neste caso. "Falhámos todos enquanto sociedade", afirmou Celmira Macedo, especialista na área da deficiência, conhecida pelo trabalho desenvolvido no distrito de Bragança com a criação de escola de pais e a associação Leque, dedicadas a esta temática.

A técnica considerou que a sociedade falhou quando mandou para casa crianças e jovens sem uma rede de apoio, aquando do início da pandemia covid-19 e dos confinamentos com os encerramentos das respostas sociais.

Fátima Martinho, de 54 anos, é acusada de ter atirado o filho para um poço e de o ter afogado. A 06 de julho de 2020, o jovem, que sofria de autismo, foi resgatado morto de um poço e a mãe confessou que foi ela que o empurrou, mas foi resultado da pressão a que estava sujeita, e não premeditado.

A mulher, acusada de homicídio qualificado, disse que viveu "um inferno", desesperada, porque o filho ficou mais agressivo e nem a medicação parecia fazer efeito. Segundo disse, noutra ocasião, chegou a chamar o 112, que colocou o jovem num colete de força, e pediu-lhes que o deixassem internado uns dias, mas no dia seguinte mandaram-no novamente para casa.

A mulher está em prisão preventiva desde a altura dos factos e depois de ter confessado.

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