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Correio da Manhã

Portugal
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MARCAS CUSTAM 40 MILHÕES

Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) podiam ter poupado, em 2003, 40 milhões de euros, se em vez de consumirem medicamentos de marca consumissem os genéricos correspondentes.
25 de Fevereiro de 2004 às 00:00
De acordo com o balanço de 2003 da Política do Medicamento, a apresentar hoje pela Associação Nacional de Farmácias, se a dispensa de genéricos atingisse os 100 por cento, no grupo homogéneo (medicamentos com a mesma substância activa), os utentes do SNS poderiam ter poupado 40 milhões de euros nos medicamentos abrangidos pelo Sistema de Preços de Referência (SPR), novo regime de comparticipações implementado em Março de 2003.
Os resultados do último ano são positivos para o Estado e para os sub-sistemas de saúde, mas não para os utentes. O Estado diminuiu em 36,1 milhões de euros os gastos com os medicamentos abrangidos pelo SPR, mas os utentes gastaram mais 85 mil euros. Já os subsistemas de saúde conseguiram uma poupança de 3,6 milhões de euros. Porém, os três últimos meses do ano foram de diminuição da despesa dos utentes com os medicamentos – 151 milhões em Outubro, 171 em Novembro e 120 milhões de euros em Dezembro.
Ainda segundo o mesmo relatório, o mercado de genéricos atingiu no final de 2003 uma quota de cinco por cento, representando um valor de 148 milhões de euros.
A Omeprazol – substância usada no tratamento de úlceras gástricas –foi a mais dispensada sob a forma de medicamento genérico – em 2003 representou um volume de 37,6 milhões de euros. A Sinvastatina, usada para reduzir o colesterol e para problemas cardíacos, vendeu 23 milhões e a Fluoxetina –antidepressivo, 13,3 milhões.
As substâncias que mais contribuíram para a diminuição da despesa do SNS com medicamentos foram o Omeprazol, a Ticlopidina (anticoagulante) e a Ciprofloxacina –antibiótico.No grupo de medicamentos de marca com genéricos disponíveis, a Omeprazol também foi a substância activa mais dispensada – 73 milhões de euros –, seguida da Sinvastatina (58,2 milhões) e Amoxicilina Clavulânico – antibiótico –, com 47,5 milhões de euros.
PREÇOS BAIXAM 22,4 POR CENTO
Outra nota do balanço é a diminuição do preço dos medicamentos de marca, que nalguns casos ultrapassou os 50 por cento. No entanto esta diminuição foi mais acentuada antes da entrada em vigor do SPR (13 de Março), não sendo acompanhada no segundo semestre de 2003. Em média, os medicamentos de marca baixaram 22,4 por cento.
No topo das diminuições de preço encontram-se o Zantac 150 mg (que passou de 62,98 euros em Dezembro de 2002 para 29,30 euros no final de 2003, diminuindo 53,5 por cento), o Gastrolav 150 mg – 62,76 para 29,30 euros, menos 53,3 por cento – e o Gastridina 150, que baixou dos 62,21 euros para 29,30, menos 52,9%. A substância activa com maior redução de preço foi a Ranitidina – de 41,41 euros passou para 23,47, menos 43,3 por cento.
DADOS
DOSE DIÁRIA
Em 2003 foram dispensadas 1414 milhões de doses diárias definidas de medicamentos de marca com genérico e 294 milhões de DDD de genéricos.
2991 MILHÕES
O mercado de medicamentos do ambulatório, em 2003, representou, a preços de venda ao público, 2991 milhões de euros, mais 4,3 por cento em relação a 2002.
DEZEMBRO
Se se atingisse os 100 por cento da dispensa de genéricos, só com o consumo de Dezembro seria possível diminuir a despesa dos doentes em 3,4 milhões de euros.
SINVASTATINA
Esta substância foi a que mais contribuiu para a redução de despesa dos utentes, com uma poupança de 4150 milhões de euros.
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