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Correio da Manhã

Portugal

Mário Machado condenado a 2 anos de prisão

Condenação por tentativa de extorsão, a partir da cadeia.
27 de Junho de 2016 às 15:03
O ex-dirigente da Frente Nacional Mário Machado
O ex-dirigente da Frente Nacional Mário Machado FOTO: CMTV
O ex-dirigente da Frente Nacional Mário Machado foi esta segunda-feira condenado a dois anos e nove meses de prisão, por tentativa de extorsão agravada, pela Instância Central Criminal de Lisboa.

Em causa está um processo de tentativa de extorsão, a partir da cadeia, através de uma carta, enviada à vítima Rute Pereira, a quem exigiu 30 mil euros, sob ameaça de morte, a cumprir diante dos filhos, de acordo com o processo.

Rute Pereira e o companheiro, Bruno Monteiro, eram antigos colegas de Mário Machado no movimento Portugal Hammerskins (PHS), que terá sofrido uma cisão com a prisão de Mário Machado.

A juíza Filipa Rodrigues deu como provado que em 2014, a partir do Estabelecimento Prisional de Alcoentre, Mário Machado enviou uma carta, através de João Dourado, a ameaçar de morte Rute Pereira, caso esta não entregasse 30 mil euros.

O tribunal deu ainda como provado que Mário Machado solicitou a João Dourado que lesse a carta a Rute Pereira, sem lha mostrar e destruindo-a de seguida, pedindo-lhe expressamente que não deitasse a mesma no lixo, não fosse a PJ encontrá-la.

João Dourado entregou a carta a Rute Pereira, em março de 2014, na loja onde esta trabalhava em Alvalade, tendo a vítima recusado pagar a quantia exigida e participado o caso à PJ e ao Ministério Público.

Ficou provado em tribunal que Mário Machado foi o autor da carta e que agiu de forma consciente ao coagir Rute Pereira, fazendo-a temer pela sua vida, pela dos filhos e do companheiro.

Este processo impediu que Mário Machado saísse a semana passada em liberdade condicional, após cumprir 5/6 de uma pena de de 10 anos, em cúmulo jurídico, por condenações relacionadas com discriminação racial, coação agravada, posse ilegal de arma e ofensa à integridade física qualificada, entre outros ilícitos.

O antigo dirigente da Frente Nacional admitiu a autoria da carta, mas alega que mandou cancelar a leitura da mesma a Rute Pereira, tendo o advogado anunciado já que vai recorrer da condenação.

Na leitura do acórdão, a juíza lembrou que Mário Machado está quase a chegar aos 40 anos e que, embora nunca tenha "conseguido demarcar-se da identidade" que assumiu em jovem, nota-se "alguma mudança", aproveitando para o exortar a mudar de atitude e acompanhar o futuro dos filhos.

A juíza Filipa Rodrigues mostrou-se ainda preocupada que o arguido não consiga afastar-se da violência, apontando recentes declarações deste em tribunal, que admitiu "dançar consoante a música". Mário Machado justificou que se referia apenas a situações de "legítima defesa".

Mário Machado, de 39 anos, pai de três filhos, um deles menor, está quase a completar o curso de Direito, que tirou na prisão, faltando-lhe apenas uma cadeira, e tem, segundo o relatório da Reinserção Social, emprego assegurado em escritório de advogados logo que saia da cadeia.

Advogado espera que processo não seja para perpetuar prisão
O advogado de Mário Machado disse esperar que o processo pelo qual o seu constituinte foi hoje condenado "não seja um elemento para perpetuar a prisão de um indivíduo que poderá não ser cómodo na sociedade".

José Manuel Castro falava à imprensa à saída do tribunal depois de o ex-líder da Frente Nacional e apontado como fundador dos "Portugal Hammerskins" ter sido condenado a dois anos e nove meses de prisão por extorsão agravada na forma tentada.

"Esperamos sinceramente que este processo - que caiu de para-quedas e que é feito com base numa carta, cuja entrega, voluntária ou não, se discute neste processo -- não seja um elemento para perpetuar uma prisão de um indivíduo que para muitos efeitos poderá não ser cómodo para muita gente na sociedade", disse o advogado de Mário Machado.

O advogado de Mário Machado atribuiu ainda o processo pelo qual o seu constituinte foi hoje condenado a "cisões" e "problemas internos" no seio do grupo Portugal Hammerskins resultantes do "processo de mudança" do ex-dirigente da Frente Nacional.

Porque Mário Machado "maturou muito" durante o seu período de cadeia", que é longo, e isso "tem sido "tem sido mal-encarado por alguns dos seus correligionários", frisou

Com 39 anos, Mário Machado está preso desde os 20 anos, com algumas pequenas interrupções, referiu. Mário Machado era para ter sido libertado na quarta-feira passada após ter cumprido 5/6 de uma pena de 10 anos de prisão, em cúmulo jurídico.

Três anos desta pena foram cumpridos no Estabelecimento Prisional de Monsanto e os restantes no de Alcoentre.

O advogado do apontado como fundador do "Portugal Hammerskins" disse ainda que Mário Machado "é neste momento, cá fora, para muitos um alvo a abater".

"Independentemente do sistema judicial se preocupar extremamente com ele, em virtude desse processo de mudança que está a operar, criou muitos inimigos inclusive a nível de ex-elementos do movimento", sublinhou o advogado.

Questionado sobre se Mário Machado continua a ser ultranacionalista, racista e neonazi, o seu advogado disse não crer que seja "racista, nazi nem ultranacionalista".

"A única coisa que ele assumiu é que é nacionalista e tem um projeto político nacionalista e isso assumiu perante o tribunal", concluiu.

José Manuel Castro reiterou que este processo judicial é uma "espantosa coincidência", por ter sido decretada a prisão preventiva para o seu constituinte na véspera deste sair em liberdade condicional - e que vai recorrer da sentença de hoje, por considerar que "apesar de amplamente explicada, tem alguns pontos fracos".
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