Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Médico absolvido de negligência

Foi absolvido das acusações de negligência e homicídio involuntário, o médico do Hospital de Vila do Conde que diagnosticou uma enxaqueca a uma paciente que viria a morrer dois dias mais tarde, no Hospital de S. João, no Porto.
14 de Junho de 2005 às 00:00
Ontem, a juíza do Tribunal de Vila do Conde proferiu a sentença que iliba o clínico de qualquer responsabilidade na morte da paciente.
O caso remonta a 1999, quando a mulher de Manuel Maia Silva recorreu ao Hospital de Vila do Conde, com vómitos e dores de cabeça. O médico deu alta à paciente, diagnosticando-lhe uma enxaqueca, mas o seu estado de saúde degradou-se horas depois, pelo que foi transferida para o Hospital de S. João, onde viria a morrer.
ACUSAÇÃO RECORRE
A acusação de conduta negligente, por alegadamente desvalorizar a circunstância de a paciente sofrer de doença cardíaca crónica e possuir válvulas mecânicas, não foi considerada pela juíza. No seu acórdão referiu que o médico “não potenciou o perigo para a vida da vítima, não tendo havido nexo de causalidade entre a entrada nas Urgências e a embolia cerebral 48 horas mais tarde”.
Em audiência, o médico queixou-se das más condições de trabalho que tinha no momento em que atendeu a paciente. No entanto, num relatório da Inspecção-Geral de Saúde, elaborado em 2000, concluíra-se que o arguido “violou os deveres gerais de zelo e lealdade”.
O advogado do clínico mostrou-se agradado com a decisão do tribunal, mas o assistente da acusação admitiu recorrer da sentença depois de ler mais atentamente o acórdão. Não deverá insistir na acusação de homicídio involuntário, mas apenas sobre o crime de negligência.
Ver comentários