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Correio da Manhã

Portugal
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Miguel Bento revela que Benfica tinha quatro mil bilhetes para oferecer antes dos jogos

Diretor do clube da Luz considera que não era nenhuma "anormalidade" alguém solicitar "20, 30 ou 40 bilhetes".
Record 27 de Outubro de 2021 às 12:00
Miguel Bento revela que Benfica tinha quatro mil bilhetes para oferecer antes dos jogos
Miguel Bento revela que Benfica tinha quatro mil bilhetes para oferecer antes dos jogos
Miguel Bento revela que Benfica tinha quatro mil bilhetes para oferecer antes dos jogos
Miguel Bento, responsável Comercial e de Marketing do Benfica, foi ouvido esta quarta-feira como testemunha no âmbito do processo e-Toupeira, onde explicou a política de oferta de bilhetes e convites do clube da Luz. E, nesse capítulo, explicou que a política de oferta de convites sempre foi bastante comum.

"São emitidos convites. Já se sabia que havia quatro mil convites para ofertar antes dos jogos. Quando falamos em 4 mil, é transversal. Vai todo o tipo de gente", explicou, ainda que revele que esta política foi travada com a pandemia: "Só pós-Covid é que essa prática não é coloca em prática, ou seja, este ano. No pré-Covid eram emitidos convites de 4 mil bilhetes".

Miguel Bento explicou que qualquer diretor podia pedir para parceiros comerciais e que só passava por ele se houvesse anomalia, algo que nunca aconteceu em 20 anos. Aponta que pedidos de 100 camisolas estavam dentro do normal.

Diretor de marketing do Benfica deu conta da diferença entre bilhete e convites. "Os convites só eram entregues quando institucionalmente faz sentido e os diretores de primeira linha - estatuto que Paulo Gonçalves tinha - têm autonomia para pedir convites".Quanto aos bilhetes têm de ser pagos.

O diretor de primeira linha das águias assinala, ainda, que não o incomodava se Paulo Gonçalves pedisse 25 convites por jogo. Aliás, até considera tal normal. "Paulo Gonçalves pedir 25 convites não é nada de anormal. Se tem relações institucionais na área do futebol, com Ligas, UEFA, Federação, jogadores, empresários, é natural que fosse o mais solicitado. Não faria sentido que não fosse assim. 24 bilhetes não são número anormal de convites. E se fossem mais não era nenhuma anormalidade. Solicitar 20, 30 ou 40 bilhetes não me repugnava de todo. Só o futebol profissional tem cerca de 300 convites por jogo. Estamos a falar da equipa de futebol. Não há anormalidade em 24 ou 36 bilhetes...", sublinhou o responsável benfiquista que foi o primeiro a ser ouvido no Campus de Justiça, de onde seguiu para Guimarães, onde o Benfica joga hoje para a Allianz Cup.

Nuno Gago, organizador dos jogos do Benfica, e Ana Zagalo, que emite bilhetes e convites solicitados pelos diretores, também foram ouvidos no tribunal. Os dois apontam que Paulo Gonçalves pedia bilhetes para jogos, mas tal como os outros diretores.

Também foi ouvido Fernando Rocha, o sobrinho do arguido José Augusto Silva, que teria recebido uma oferta de emprego pars trabalhar no museu do Benfica.

Durante a sessão, Fernando Rocha foi confrontado com várias escutas sobre a ida para o museu do Benfica, mas afirmou não saber de nada. Disse ainda que não pediu favores a niguém.

"Não tenho de pedir favores a ninguém. Isto é injusto. Se a minha família pediu favores, não sei. Não participeu nestas conversas", explicou.
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