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Correio da Manhã

Portugal
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Obras falsas pintadas por recluso na cadeia introduzidas no mercado como sendo de grandes artistas

Comerciante que introduzia pinturas no mercado detido. Recluso produzia as obras pictóricas numa sala de artesanato da prisão.
28 de Outubro de 2021 às 08:37
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Obras falsas pintadas por recluso na cadeia introduzidas no mercado como sendo de grandes artistas
A Polícia Judiciária realizou várias buscas domiciliárias e em estabelecimentos no Grande Porto onde foram apreendidas 40 obras pictóricas que, segundo aquela polícia, se "presumem falsas".

Um comerciante de arte é o principal responsável pela rede que introduzia no comércio de arte nacional, leiloeiras e galerias, obras pictóricas falsas, "elaboradas "ao estilo" ou reproduções de grandes mestres nacionais e estrangeiros".

Segundo a PJ, fazia ainda parte do esquema um detido que produzia e assinava a pintura e ainda um conjunto de indivíduos que colocavam as falsas obras no mercado.

A Polícia Judiciária revelou ainda que foram constituídos seis arguidos no âmbito da operação de desmantelamento de obras de artes avaliadas em cerca de 250 mil euros.

"Se as peças fossem legítimas, o valor que, eventualmente, o burlão poderia conseguir está, neste momento, com as 40 peças [26 apreendidas nas buscas de quarta-feira e as restantes ao longo da investigação] nos cerca de 250 mil euros", indicou em declarações aos jornalistas ao final da manhã, o coordenador de investigação criminal da Diretoria do Norte, Pedro Silva.

A produção destas pinturas era feita num "sala de artesanato de um estabelecimento prisional" onde o falsificador tinha todos os materiais necessários como "telas, pinceis, folhas de papel de desenho, tubos de tinta e óleo, frascos de óleo de linhaça, lápis de carvão, papel vegetal, papel químico e outros".

Era através de visitas autorizadas que as pinturas saíam da prisão e entravam no circuito comercial, sempre com a coordenação do detido.

As obras falsificadas pertenciam a Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Noronha da Costa, José Malhoa, Cutileiro, Domingos Alvarez, Malangatana e Almada Negreiros.

"Nesta operação procedeu-se à apreensão de 26 peças, que vem juntar-se a outras já realizadas no âmbito da mesma investigação, completando um total de 40 obras pictóricas falsas apreendidas", pode ler-se no comunicado.

O comerciante de arte, de 50 anos, foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida de obrigação de permanência na habitação.
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