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Correio da Manhã

Portugal
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Palmas para Comandos

Palmas. Foi sob uma vibrante salva de palmas que os primeiros Comandos regressados de seis meses de missão em Cabul, Afeganistão, entraram ontem na sala de espera do Aérodromo Militar n.º1, no Figo Maduro, em Lisboa.
4 de Fevereiro de 2006 às 00:00
“Grandes homens!” ouviu-se claro e distinto no meio da felicidade dos familiares destes primeiros 33 militares de volta de uma missão no âmbito da Força Internacional da NATO no Afeganistão (ISAF), que, no entanto, foi enlutada pela morte do primeiro-sargento Roma Pereira e os graves ferimentos sofridos pelo cabo Horácio Mourão num atentado a 18 de Novembro quando patrulhavam uma estrada próxima de Cabul.
“O atentado que os Comandos sofreram foi um dos momentos mais sentido por estes militares na sua missão em Cabul”, disse o capelão militar capitão Constâncio Gusmão que durante cerca de meio ano esteve a dar apoio religioso e moral aos soldados no terreno.
“Toda a gente sabia os riscos que corria – acrescentou – mas sempre com a esperança de que nada aconteceria. A unidade sentiu imenso, mas conseguiu superar e aproveitar o choque para aumentar o empenho na missão”, recordou o capelão.
Uma chegada marcada por lágrimas de emoção quer por parte dos familiares quer dos próprios Comandos.
TRIGÉMIOS EM ACÇÃO
“A viagem correu bem, apesar da ansiedade enorme em chegarmos. No Afeganistão a companhia esteve ao mais alto nível e elevou o nome de Portugal”, disse ao CM o soldado Alexandre Ramalheiro.
António e Leonilde Ramalheiro, de Ansião, tiveram um esforço triplo para superar a ausência, o vazio da casa, assim de repente. Não foi só o seu filho Alexandre a ir para Cabul. mas também o Jorge e o Sérgio. Três gémeos. Os três nos Comandos, os três na mesma missão. “Foi bom ter mais dois irmãos no mesmo teatro de operações, com maior apoio entre todos”, comentou Alexandre.
Oito dos Comandos agora regressados vão voltar no dia 18 a Cabul, para uma nova missão na ISAF.
Entretanto, o cabo Horácio Mourão, saiu esta semana do coma induzido em que se encontrava desde que iniciou o tratamento na Alemanha e depois no Hospital Militar de Lisboa. “As melhoras são significativas, mas o Horácio ainda não fala e também não mexe a perna e braço do lado direito. Acreditamos que com o tempo vai regressar à sua vida com normalidade”, disse um familiar.
APOIO MORAL
“A minha actividade não foi só a celebração litúrgica mas também o apoio moral”, disse o capelão Gusmão. “Não houve grande possibilidade de contacto com os civis em Cabul. No Dia de Reis oferecemos aos 28 funcionários civis do campo um cabaz de Natal e bolo-rei a cada um.”
MOMENTO DIFÍCIL
“O pior momento foi o da morte do 1.º sargento Roma Pereira, mas com o treino que temos, a Companhia reagiu bem e ultrapassou esse momento difícil”, disse o soldado Alexandre Ramalheiro, que cumpriu a missão no Afeganistão com mais dois irmãos gémeos, também Comandos.
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