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Correio da Manhã

Portugal
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Prisão preventiva para falso padre

Suspeito de se dedicar ao furto e comercialização de obras religiosas.
2 de Maio de 2013 às 19:21

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa aplicou esta quinta-feira a medida de prisão preventiva ao falso padre detido pela Polícia Judiciária (PJ), suspeito de se dedicar ao furto e comercialização de obras religiosas, disse à Lusa fonte policial.

Segundo fonte da PJ, o homem, que se fazia passar por padre há vários anos, é suspeito dos crimes de furto de obras de arte e bens culturais religiosos, burla, falsificação de documentos e usurpação de funções e era procurado pela justiça por crimes praticados no final de 2012.

O agora detido tem pendente uma condenação a dois anos e meio de prisão, aplicada em outubro de 2011 pelo Tribunal de Santo Tirso, pelos crimes de usurpação de funções e de burla qualificada.

Na ocasião, o tribunal aplicara-lhe pena suspensa, mas em contrapartida exigiu-lhe que indemnizasse em 4.727 euros, no prazo de dois anos, três pessoas que burlou, e que pedisse desculpa, no prazo de 15 dias, à Arquidiocese de Braga, às paróquias onde exerceu ilegalmente e aos respetivos paroquianos.

Agostinho Caridade, o falso padre, foi ainda condenado, a título de danos não patrimoniais, a pagar 3.000 euros por ter "lesado a fé" dos queixosos.

Em julho de 2010, Agostinho Caridade já tinha sido julgado, também à revelia, pelo Tribunal de Felgueiras, que o condenou a 350 dias de multa, à taxa diária de cinco euros, pelos crimes de usurpação de funções e de burla.

As vítimas foram um casal de idosos de Santão, Felgueiras, em cuja residência o "falso padre" realizou vários exorcismos e celebrou uma missa, em novembro de 2008.

O arguido não pagou a multa e andou fugido da justiça, até que, em maio de 2012, foi detido pela GNR em Durrães, Barcelos, e conduzido ao Estabelecimento Prisional de Viana do Castelo, onde passou apenas alguns dias, já que a família pagou o remanescente da multa.

A partir daí, desapareceu por uns tempos, mas agora voltou a ser notícia, nomeadamente através de um alerta da Arquidiocese de Braga, que deu conta de que Agostinho Caridade estava de novo a aparecer nas igrejas, para celebrar e furtar, nomeadamente imagens de santos e outros objetos de valor, que depois tratava de comercializar.

Segundo a Judiciária, o "falso padre" possui vastos conhecimentos e experiência na área eclesiástica e terá furtado ainda uma carteira de cheques, que utilizava para comprar objetos religiosos que, de seguida, vendia novamente.

"A nossa investigação começou com participações de furtos em igrejas em Lisboa. Furtava imagens e coroas dos santos, cálices, salvas, crucifixos e obras de arte religiosas e vendia-as a estabelecimentos como antiquários, mas também a recetores do mercado paralelo", avançou hoje fonte da PJ à agência Lusa.

"É um burlão muito inteligente, com histórias bem engendradas, com muita mobilidade. Circulava entre Lisboa e o norte do país, sempre em transportes públicos e dormia em pensões, o que dificultava as investigações", afirmou a fonte.

Ultimamente, na região de Braga, terá promovido um peditório para uma alegada operação de um familiar em Cuba.

Presidiu a várias cerimónias religiosas um pouco por todo o país, incluindo um casamento na Sé de Braga.

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