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Correio da Manhã

Portugal
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QUATRO PATAS DE PRONTIDÃO

São ‘quatro patas’ que podem fazer a diferença. Em trabalho de equipa com os seus tratadores, os cães do Grupo Operacional Cinotécnico do Corpo de Intervenção (GOC/CI) da PSP mostram-se preparados para dar a melhor resposta a qualquer situação com que venham a ser confrontados.
11 de Junho de 2004 às 00:00
O Corpo Cinotécnico da PSP está a chegar a todo o País
O Corpo Cinotécnico da PSP está a chegar a todo o País FOTO: Tiago Dias
Homens e cães estão de prontidão, agora não apenas na sua sede – a Quinta das Águas Livres, em Belas – mas do Porto a Faro e ainda nos Açores, onde foram colocadas algumas das 40 equipas (binómios) formadas no último curso e que já tiveram o seu ‘baptismo de fogo’ no Rock in Rio-Lisboa e na final da Taça de Portugal em futebol, no Jamor.
“Aproveitámos os dois espectáculos para fazer mais um teste á nossas capacidades e, como uma equipa nunca trabalha sozinha, juntámos a uma experiente outra ainda a frequentar o curso que agora terminou. O resultado final deixou-nos ainda mais confiantes”, garantiu ao CM o segundo comandante do GOC/CI, subcomissário Paulo Brissos dos Santos.
Dos 40 binómios agora formados, sete foram colocados no Porto, seis em Coimbra, cinco em Faro, três em Setúbal e dois em Angra do Heroísmo, tendo os restantes ficado em Lisboa, que passou a contar com 50 binómios. O País passou a dispor de 73 binómios no total.
Se os agentes foram sujeitos a testes físicos e psicotécnicos para aquilatar das suas capacidades, confirmadas nas 14 semanas (com uma carga de nove horas e meia/dia) de curso –, os cães mereceram, igualmente, uma cuidada selecção.
“Temos um total de 80 cães. 40 destinados a patrulhamento e ordem pública e os outros especializados na busca de explosivos, estupefacientes e busca e salvamento”, esclarece Paulo Brissos, satisfeito com a qualidade dos cães e com as condições da nova área habitacional construída para os canídeos.
“Agora os nossos cães têm as melhores condições a nível europeu. Cada canil tem uma área útil de nove metros quadrados, está orientado para nascente, para que o cão apanhe o máximo de Sol, o telhado tem isolamento térmico e os bebedouros são automáticos, proporcionando, assim, água sempre fresca.”
Um dos canis impõe uma paragem, para recordar a história e o contributo do seu “inquilino”.
“Este é o canil da ‘Xiana’, uma ‘retriever do labrador’, que, há dez anos, foi oferecida ao Grupo pela cantora Dina. Ainda continua no activo e das várias ninhadas que já teve ficámos com quatro filhos. De entre eles destaca-se o ‘Pilão’, que é especialista em operações de busca e salvamento e participou em missões na Turquia, na Argélia e no Irão”, recordou Paulo Brissos.
VIDA DE CÃO
SEPARAÇÃO
Quando se pretende um cão, ele é separado da cadela quando faz oito semanas. Passa a ser tratado só por três elementos que se revezam no treino e na limpeza do canil.
INSTINTO
A partir do terceiro mês os tratadores avaliam o instinto do animal. Posteriormente, o animal será testado por um elemento habilitado com o curso da especialidade a que parece destinado.
SAÚDE
Todos os cães são alimentados a ração, que varia consoante o desgaste. São vacinados e vigiados pelo médico veterinário residente, que em caso de doença ou acidente os trata na Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa.
RAÇAS
No grupo estão representadas sete raças: ‘pastor alemão’, ‘pastor belga malinois’, ‘pastor belga tervuren’, ‘retriever do labrador’, ‘rottweiller’, ‘cocker spaniel’ e ‘cão de fila de S. Miguel’, esta a única portuguesa.
MAIS DE 20 ANOS DEPOIS DA SUA CRIAÇÃO, SURGE A PRIMEIRA AGENTE NO GRUPO E OS CANÍDEOS PODEM USAR BOTAS
HISTORIAL
HISToRIAL.
Os primeiros binómios surgiram ainda no período das Companhias Móveis de Polícia, em Oeiras, até que, em Fevereiro de 1982, foi inaugurado o canil da PSP, na Quinta das Águas Livres. O efectivo que era então de 16 binómios, passou a 20 em 1990 e a 32 em 2000, com a designação de Pelotão Cinotécnico. Em Dezembro do mesmo ano foi criado o Grupo Operacional Cinotécnico que contava com 35 binómios.
ÚNICA MULHER
Madalena Bento, de 34 anos, 12 dos quais passados na PSP (dois nos Açores e dez em Faro), é a única mulher do Grupo Operacional Cinotécnico da PSP. “Como gosto de estar na polícia e também de cuidar de animais agora posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. No primeiro serviço, no Rock in Rio-Lisboa, senti-me um pouco nervosa. É próprio da estreia, mas correu bem. Eu e o ‘Nico’, o pastor alemão de três anos que faz equipa comigo, fizemos ‘um bom casamento’, como se diz por aqui”.
BOTAS PROTEGEM
O último equipamento adquirido para o Grupo foram botas de borracha, de vários tamanhos, para os cães. Paulo Brissos justificou: “Em alterações de ordem pública ou em operações de busca e salvamento é frequente encontrar muito vidro partido, que fere as almofadas das patas dos animais. Estas botas maleáveis vão proteger-lhes as patas e assim os cães já não vão ter necessidade de as lamber, tentando minimizar os ferimentos, e poderão preocupar-se exclusivamente com a sua missão”.
ORDEM PÚBLICA
Duas das vertentes cinotécnicas são o patrulhamento e o policiamento de áreas sensíveis ou a reposição e a manutenção da ordem pública. Nestas destacam-se a contenção ou até a desmobilização de manifestações, quando impera a violência dos manifestantes. De uma postura de expectativa agressiva (ladrando) os cães passam ao ataque quando recebem a ordem do agente. Então correm direitos ao alvo que imobilizam, chegando até a derrubá-lo, tal a impetuosidade da intervenção.
SALVAMENTO
Além das busca de explosivos e estupefacientes, os canídeos participam, muitas vezes, em acções de busca e salvamento, nomeadamente de pessoas soterradas em escombros. As raças então utilizadas são o ‘pastor alemão’ e o ‘retriever do labrador’. Incitado pelo seu companheiro de equipa, o cão fareja os escombros à procura das vítimas e quando consegue encontrar alguma, como foi o caso, imobiliza-se no local e ladra repetidamente até à chegada do seu companheiro, de quem fica a aguardar o carinho da recompensa.
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