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Correio da Manhã

Portugal
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Rui Pinto ficou no estabelecimento prisional da PJ por indicação da ministra da Justiça, revela guarda

Álvaro Bernardino foi arrolado como testemunha no julgamento do processo Football Leaks.
Lusa 22 de Abril de 2021 às 20:42
Rui Pinto
Rui Pinto FOTO: Direitos Reservados
A ministra da Justiça e o diretor-geral dos Serviços Prisionais determinaram a permanência em prisão preventiva de Rui Pinto no estabelecimento prisional da Polícia Judiciária (PJ), revelou um dos guardas ouvido esta quinta-feira no julgamento do processo 'Football Leaks'.

De acordo com o depoimento de Álvaro Bernardino no Tribunal Central de Instrução Criminal, arrolado como testemunha pela defesa do criador da plataforma eletrónica, Rui Pinto cumpriu a prisão preventiva nas instalações anexas à sede da PJ, em Lisboa, "porque o diretor-geral [de Reinserção e dos Serviços Prisionais, Rómulo Mateus] e a ministra [da Justiça, Francisca Van Dunem] disseram para ficar lá".

"O estabelecimento prisional da Polícia Judiciária confere grande segurança em relação aos indivíduos detidos. Tem a ver com a avaliação da ameaça. A alocação é feita de acordo com a avaliação temporal", sublinhou o chefe dos guardas prisionais daquele estabelecimento, durante a 37.ª sessão do julgamento.

E acrescentou: "À chegada, o diretor-geral veio falar comigo diretamente no sentido da sensibilidade do ingresso de Rui Pinto no estabelecimento prisional, dado o mediatismo da situação, assim como o suposto grau de ameaça que pendia sobre ele. Isso levou a um tratamento diferenciado."

Álvaro Bernardino explicou que foi criado um dispositivo de segurança para o criador do 'Football Leaks', no qual se deslocava por trajetos alternativos sem contacto com outros reclusos. A situação era similar a um "isolamento" - apesar de não o ser formalmente, já que podia ter contacto "com guardas, diretor, familiares e advogados" -, realçando que o principal arguido deste processo "sempre foi educado e de bom trato" ao longo daquele período.

"O que nos preocupava era a segurança do Rui Pinto", observou a testemunha, notando que esse dispositivo "durou uns meses" e acabou por ser "gradualmente aliviado". No entanto, com a revelação do caso 'Luanda Leaks', em janeiro de 2020, o chefe dos guardas assumiu que "foi novamente reavaliada a ameaça pelas notícias" então divulgadas: "Fizemos um relatório interno, em que se colocou a salvaguarda da integridade física de Rui Pinto."

As audições das testemunhas Nuno Ferreira e Francisco Louçã não se realizaram esta quinta-feira, tendo sido reagendadas para a próxima semana. O julgamento continua na próxima quarta-feira.

Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, "devido à sua colaboração" com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu "sentido crítico", mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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