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Correio da Manhã

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Ao minuto Atualizado às 20:28 | 26/03

"Crime monstruoso": Procuradora emociona-se e pede pena máxima para pai e madrasta de Valentina

Sandro e Márcia conhecem sentença pela morte da menina a 14 de abril em Leiria.
Correio da Manhã 26 de Março de 2021 às 14:17
O arguido Sandro à entrada para o auditório na cidade da Batalha, levado por guardas prisionais
Márcia chega a tribunal
O arguido Sandro à entrada para o auditório na cidade da Batalha, levado por guardas prisionais
Márcia chega a tribunal
O arguido Sandro à entrada para o auditório na cidade da Batalha, levado por guardas prisionais
Márcia chega a tribunal
Decorre esta sexta-feira a terceira sessão do julgamento do pai e da madrasta de Valentina, a menina encontrada morta em maio de 2020, na Atouguia da Baleia, em Peniche.

A sessão decorre no Auditório Municipal da Batalha devido à pandemia da Covid-19.

O pai e a madrasta da criança de nove anos morta em maio de 2020, em Peniche, foram acusados pelo Ministério Público de Leiria dos crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver, em coautoria. Os arguidos respondem também pelo crime de abuso e simulação de sinais de perigo, enquanto o pai da criança está ainda acusado de um crime de violência doméstica.

As alegadas agressões do pai sobre a filha terão tido por base suspeitas de que a menor estaria a ser vítima do crime de abuso sexual, mas para o Ministério Público (MP) "não resultam quaisquer indícios do cometimento de tal ilícito, uma vez que o relatório da autópsia não evidencia a existência de qualquer sinal de contacto/abuso sexual".
Ao minuto Atualizado a 26 de mar de 2021 | 20:28
16:24 | 26/03

"Ambos mataram a Valentina", disse a Procuradora

A procuradora destaca incongruências nos depoimentos do Sandro e realça que comete o crime quem o praticou mas também quem o deixou praticar. "Ambos mataram a Valentina", disse a Procuradora. 

"Ele deu murros, de mão fechada, palmadas e abandonou a menina. Ele assistiu a tudo e percebeu qie  que a Valentina estava a morrer. A Valentina estava a morrer e o Sandro foi ver televisão e a Márcia foi adormecer a Carolina", refere a profissional. 

A Valentina era a vítima e foi confrontada. Como podem justificar o comportamento após as agressões, as compras, um dia inteiro no sofá, o alerta, as buscas, todo o envolvimento quando sabiam que ela estava morta", questiona.

Procuradora pede ao coletivo de juízes que Sandro e Márcia sejam condenados por homicídio e profanação de cadáver, por simularem o crime. É também referido que Sandro deve ser condenado ainda por violência doméstica e inibido do poder paternal pelo menos por dez anos. "Não devem ter qualquer atenuante", refere a procuradora. 

A procuradora emociona-se e finaliza: "Foi um crime monstruoso".
16:08 | 26/03

"A menina morreu quando estava sentada no meu colo, na cozinha", admitiu o pai de Valentina

"A menina morreu quando estava sentada no meu colo, na cozinha. Tinha os olhos semicerrados", admitiu Sandro e acrescentou: "Quando a pus no sofá ela já estava morta". 

O arguido disse no início do julgamento que acordou com os gritos da Valentina, causados pela Márcia que estaria com ela na casa de banho, neste sentido, a juíza referiu que no relatório há indícios de queimaduras na zona genital e Sandro acabou por confirmar que estava a dirigir água quente para a menina. 

O juiz perguntou então: "Afinal quem levou menina para a casa de banho?". O Sandro respondeu que está confuso com a gravação e afirmou que só bateu na Valentina uns dias antes. "Eu não deitei água quente à menina", disse. 

"O que assumo é ter levado a Valentina para o pinhal", rematou o pai da menina. E disse que de manhã não teve responsabilidade na morte da filha.

"No meio das duas versões o Sr. escorrega e isso é complicado", disse uma juíza. "Mudou completamente a versão porquê?", perguntou a juíza. 

"Porque na cadeia ando a ser acompanhado por uma psicóloga, e por causa da família, decidi contar versão verdadeira", disse. 
15:58 | 26/03

"Não devia ter feito o que fiz. Devia ter feito de maneira diferente", disse pai de Valentina

Durante a sessão de julgamento o juiz disse: O Sr. é pai, pai é pai, só para ver se eu entro um pouco na sua cabeça. Se havia hipótese de haver abuso sexual, porque não decidiu levar isso para o nosso mundo de adultos? Porque tem de ser a Valentina... as crianças mentem, fantasiam, também contam a verdade". 

O juíz perguntou como foi a infância de Sandro ao que ele repsondeu: "Foi sem grandes problemas". 

"Como me sinto nedte momento? Com sentimento de culpa", disse o arguido. "Não devia ter feito o que fiz. Devia ter feito de maneira diferente", acrescentou.

Sandro diz que assumiu as culpas no primeiro interrogatório porque era isso que tinham combinado com Márcia. 
15:54 | 26/03

Sandro revelou que não sufocou a filha, as agressões foram bofetadas

Sandro admitiu, durante o julgamento, que a ideia era esconder o corpo de noite e dizer que tinha desaparecido. Quando contou o plano à Márcia, esta disse que ele não estava bem. 

O pai de Valentina admite que disse mais de três vezes a Márcia que ficava sem os filhos se fizesse alguma coisa e revelou que depois de levarem o corpo da menina não fizeram limpeza ao local. 

Após esconder o corpo da menina, o Sandro ficou por casa, a ver televisão com a Mariana. A Márcia andava nas limpezas e a cuidar das meninas. 

Quando questionado pelo advogado de defesa, Sandro diz que não sufocou a Valentina, as agressões foram bofetadas.
15:42 | 26/03

"Márcia estava contra tudo o que eu fiz, dizia para parar, eu dizia para ela não se meter", disse Sandro

Sandro queria saber se quando o padrinho abusou sa menina se tinha havido penetração. Valentina não respondeu. "A Márcia estava contra tudo o que eu fiz, dizia para parar, eu dizia para ela não se meter", disse o arguido. 

"Na casa de banho, a água quente não estava no máximo, mas queimava. A Márcia tentava desligar a água, e pedia para eu parar, sempre que ela se punha entre mim e a Valentina eu afastava-a", referiu Sandro. "Também lhe bateu com uma colher de pau que tirou de uma gaveta da cozinha, já levou a colher de pau da cozinha quando foi para a casa de banho, com a colher de pau bateu nas mãos da Valentina", disse. 

"Na casa de banho foi questão de minutos até começarem as convulsões que só terminaram quando a levaram para a cozinha", acrescentou. Apercebeu-se da situação e apareceu, o Sandro mandou o embora para junto das irmãs. 
15:29 | 26/03

Valentina contou ao pai que o padrinho abusava dela

Sandro diz que nunca ameaçou Márcia, nem bateu ao filho desta, antes da situação que envolveu a morte de Valentina. Segundo o arguido, depois das discussões cada um ia para seu lado e acabava por ali. 

Sandro admite que nunca perguntou a Pedro, padrinho da menina, sobre os abusos. "Nunca perguntei nada ao tal Pedro sobre os tais abusos, eu sabia que a Valentina não era certa, queria ter a certeza da história toda. Queria que a Valentina contasse tudo para depois ir à polícia fazer queixa", explicou Sandro. 

Sobre os papelinhos, a Valentina disse "que não era ela que fazia os papelinhos e eu dei lhe chapadas em várias partes do corpo, onde calhava".

"A Márcia disse para eu me acalmar, eu fui para o quarto e fiquei a pensar nisso", esta situação ocorreu noutro dia, antes do crime, foi uma primeira agressão e confrontação. Sandro conta que nesse dia Márcia pediu para se acalmar mas ele respondeu: "a filha é minha, não tens nada que te meter". 

A Márcia acabou por ficar a falar com a Valentina, ela contou do padrinho. "A Valentina disse que a avó ficava no café, ela ia com o padrinho que lhe mexia no pipi e vice-versa. E lhe dava coisas e prendas", revelou o pai da menina. 

"Na minha cabeça a culpa era do padrinho", disse Sandro. 

15:22 | 26/03

"Deixei o corpo assim, pus só um arbusto por cima", diz Sandro ao ver a foto do cadáver da filha no pinhal

Sandro admitiu que disse várias vezes a Márcia para não fazer nada senão ficava sem os filhos e acrescentou que ameaçou o filho de Márcia para estar calado senão ficava sem ver os irmãos ou a mãe. 

O arguido revelou ainda que podia ter telefonado a pedir ajuda para a Valentina. "Durante a tarde, já não se notava movimento da respiração, eu já tinha na cabeça que a menina estava morta, isto antes de ir a Peniche", disse pai de Valentina. 

Sandro conta que de noite, as crianças foram dormir e que ele disse a Márcia para ir vestir a menina. Os dois vestiram Valentina. 

O juiz de instrução mostrou uma foto ao Sandro do cadáver da menina e ele confirmou que foi assim que vestiu a menina. "Deixei o corpo assim, pus só um arbusto por cima" diz Sandro ao ver a foto do cadáver da filha no pinhal.
15:16 | 26/03

"Fui lá para ouvir o coração e já não se ouvia nada"

Voltaram para casa. Valentina estava tapada no sofá.

"Fui lá para ouvir o coração e já não se ouvia nada", revelou Sandro, admitindo que ficou em pânico e com medo.

Sandro decidiu esperar pela noite. Foram de carro para o pinhal, saíram os dois do carro. Márcia deixou Sandro no local e foi dar uma volta. O corpo da menina já sem vida estava no banco de trás do carro. Sandro diz que nunca apertou o pescoço à Valentina nem fez bater a cabeça dela contra a parede.

"E no chão?", questionou o juiz. Sandro afirmou que não se lembrava.

O pai da menina diz que bateu sempre de mão aberta, à estalada. "Houve uma altura em que ela escorregou da mão e não se recorda se caiu ao chão", disse.
15:08 | 26/03

"Tinha os olhos esbugalhados e estava com convulsões"

De seguida levaram Valentina para o sofá, onde ela também dormia. 

"Na casa de banho posso também ter-lhe dado uma bofetada, com força, para ver se ela falava. Tinha os olhos esbugalhados e estava com convulsões", relembrou Sandro. 

Quando questionado sobre o que fez nesse momento, o pai da menina diz que não fez nada.

Acabaram por almoçar, todos menos a Valentina e Carolina, de sete meses. Mariana perguntou por Valentina. Sandro disse que a menor estava a dormir "como castigo". A Márcia foi lavar a loiça.

Sandro fala num tom de voz normal, sem mostrar emoções.

Depois de almoço ficaram por casa. Saíram depois para ir a Peniche comprar leite para a Carolina. Foram multados pelo caminho e multados, uma vez que carro não tinha seguro. A GNR mandou o casal para casa.
15:00 | 26/03

"Fiquei em pânico, com receio das marcas que ela tinha"

No dia 6 de maio, Sandro levantou-se pelas oito da manhã. A menina já estava levantada e dormia no sofá da sala. Sandro chamou a criança para esclarecer a história dos papelinhos e saber se tinha existido alguma penetração sexual.

Sandro ameaçou Valentina com água a ferver, uma vez que a criança não falava. Acabou por concretizar a ameaça com água a ferver. A menina de 9 anos começou com convulsões e com o corpo todo a tremer.

"Quando me apercebi fechei a água, sempre com convulsões, convulsões, começou a desfalecer", afirmou Sandro, que ficou com a menina ao colo.

Foi nesse momento que a transportou para a cozinha. "Fiquei em pânico, com receio das marcas que ela tinha", confessou Sandro, que não chamou o 112 com medo que vissem as marcas.
14:55 | 26/03

Sandro, pai de Valentina: "Dei-lhe uma tareia, fiquei com a mão escaldada de tantas bofetadas"

Juiz começa por perguntar sobre uma zanga anterior ao crime, antes do dia da mãe, entre Sandro e Valentina sobre a história dos papelinhos, que a Valentina mandava aos meninos.

Sandro confrontou a menina, que negou a existências dos papéis. "Dei-lhe uma tareia, fiquei com a mão escaldada de tantas bofetadas", revelou Sandro no interrogatório. A menina gritava, enquanto Márcia assistia a tudo, explicou o pai.
14:42 | 26/03

Começa a sessão

Começa a sessão. Vão ser ouvidas as declarações de Sandro Bernardo no primeiro interrogatório judicial, em maio do ano passado, em Leiria.
14:11 | 26/03

Sandro e Márcia já estão na sala de audiências

Sandro e Márcia já se encontram na sala de audiências. Estão na mesma fila de cadeiras, separados por cinco lugares.
13:57 | 26/03

Audiência marcada pela audição da gravação do interrogatório a Sandro

Nesta audiência será ouvido o áudio da gravação do interrogatório realizado pelo juíz de instrução ao pai da menina, Sandro, na altura da detenção. Recorde-se que na primeira sessão do julgamento, o pai referiu que não tinha sido ele a matar a filha. Terá agora de explicar as contradições.
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