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Correio da Manhã

Portugal
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Seguranças agridem

Estava a trabalhar, quando vejo quatro homens a dirigirem-se ao meu irmão. Um tocou-lhe na perna e ele ao virar-se levou logo um soco. A seguir deram-lhe murros e pontapés nas costas e pernas”, contou co-proprietário da oficina PT Lemos, em Macieira da Maia, Vila do Conde, que tal como o CM noticiou ontem foi vítima de agressões e extorsão por quatro seguranças da noite do Porto.
25 de Novembro de 2007 às 00:00
Os dois mecânicos foram agredidos a soco e pontapé no pátio de entrada da oficina
Os dois mecânicos foram agredidos a soco e pontapé no pátio de entrada da oficina FOTO: Sérgio Freitas
Um dos mecânicos agredidos, de 27 anos, foi violentamente atacado e teve mesmo de ser transportado ao Hospital de Vila do Conde dada a gravidade dos hematomas. “O meu irmão tem problemas nas costas, uma hérnia discal, e foi complicado vê-lo a levar pancada”, disse o jovem de 19 anos, que não se quis identificar.
Sobre os motivos do ataque, o mecânico não se quis alongar dizendo que não percebe a violência dos quatro homens. As agressões ocorreram no pátio de entrada da oficina e foi um vizinho que ao aperceber-se da situação deu o alerta à GNR.
Quando militares irromperam pela oficina, os seguranças tentavam obrigar os dois jovens a assinar um cheque que, no entanto, ainda não tinha o valor preenchido. “Não quero avançar valores mas posso dizer que nos pediam menos de mil euros”, avançou a vítima.
Os quatro seguranças agrediram os jovens durante cerca de quinze minutos, tendo mesmo disparado três tiros para o ar, no intuito de pressionar os mecânicos. Os seguranças estavam armados com um revólver Taurus, calibre de guerra.
Os disparos alertaram os frequentadores de um café que fica colado à oficina. “Ouvi os tiros e as vinte pessoas que estavam cá dentro foram logo para o exterior. No entanto, não sei o que é que motivou a situação”, disse um dos empregados do estabelecimento.
Os usurpadores foram detidos pela GNR e o caso está a ser investigado pela PJ do Porto.
"VAMOS PEDIR INDMENIZAÇÃO"
Revoltado com a situação, o co-proprietário de 19 anos afirma que: “Andamos a trabalhar honestamente e depois estamos sujeitos a que nos aconteça uma situação destas”.
Segundo o jovem sabe, este tipo de situações estão a acontecer com alguma frequência na zona de Vila do Conde. “Pelo que me falaram já não é a primeira vez que isto acontece”, disse.
Questionado se sentia receio pela sua segurança, o mecânico foi pronto na resposta. “Não. Este negócio tem trinta anos, já vem do meu pai, e não é agora que vai começar a dar problemas”, sustentou.
O co-proprietário da PT Lemos, situada no largo da Vilarinha, em Macieira da Maia, no concelho de Vila do Conde, só tem uma certeza: “Vamos pedir uma indemnização, até porque ao atacarem o meu irmão danificaram o pára-choques do carro que eles estava a reparar”.
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