Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
7

Sete pescadores escapam da morte (COM VÍDEO)

"Foi um grande susto. Ainda estou a tremer. Cinco estavam a descansar e apenas o mestre e outro colega se encontravam de vigia. Ouvi um grande estrondo e começou tudo a gritar, em pânico. Foi um desespero para saltar do barco", relatou ao CM Rafael Maio, um dos sete pescadores oriundos das Caxinas, em Vila do Conde, que ontem de madrugada foram resgatados da embarcação ‘Cristiano Raquel’.
20 de Fevereiro de 2013 às 01:00
Barco encalhou quando ia para o porto de pesca
Barco encalhou quando ia para o porto de pesca FOTO: Carlos Barroso

O barco encalhou num baixio junto à foz do rio Alcoa, a uma dezena de metros da costa e a cerca de um quilómetro do porto de pesca da Nazaré, local para onde ia descarregar o pescado.

O alerta foi às 05h00. Apesar de chegarem a pensar tratar-se do "último dia" das suas vidas, conseguiram ter o sangue-frio para saltar do barco, que sofrera um rombo no casco, sendo ajudados a chegar a terra por outro pescador, que passava no local e que foi determinante no final feliz do incidente.

"Atirámos uma corda para terra e fomos saindo um a um. O mestre foi o último a abandonar a embarcação. Tivemos uma ajuda corajosa no salvamento dos companheiros", indicou Rafael Maio, ainda algo nervoso e sem recuperar do inesperado embate do barco nas rochas.

Manuel Maravalhas, de 43 anos, ficou ferido no joelho e foi levado para o hospital das Caldas da Rainha para tratamento. Fez uma radiografia e teve alta hospitalar ao princípio da tarde.

A restante tripulação – o mestre, Armindo José, 53 anos, José Petinga, 27 anos, José Maravalhas, 42 anos, Moisés André, 52 anos, Manuel Galante, 55 anos, e Rafael Maio, 55 anos – foi acolhida no quartel dos Bombeiros Voluntários da Nazaré, onde lhes foi dada roupa e comida e onde puderam tomar banho e descansar, enquanto aguardavam a chegada de familiares.

"Como estiveram com água até à cintura ficaram molhados e com princípio de hipotermia. Mas receberam roupas quentes e foram bem tratados. Estavam apenas preocupados com o barco e com o colega que foi assistido no hospital", disse ao CM João Estrelinha, comandante dos Bombeiros da Nazaré.

"OUVI OS HOMENS AOS GRITOS E PEDI LOGO SOCORRO"

Armindo Boarqueiro, pescador da Nazaré que ia para o mar, acabou por ser o herói do dia, contribuindo com o socorro prestado para que o caso não tivesse contornos trágicos e apenas houvesse um pescador com ferimentos ligeiros.

"Eram cinco e meia da manhã quando saí da barra para ir trabalhar. Foi então que vi o barco a navegar para terra e apercebi-me de que algo não estava bem. Quando cheguei mais perto ouvi os homens aos gritos e telefonei logo para o 112, para acionar os meios de socorro. Regressei a terra e fui buscar a minha carrinha para atravessar o rio e chegar até ao ponto onde estavam encalhados. Estavam cinco em cima das pedras e o mestre estava entalado. Já não conseguia subir. Fomos lá buscá-lo e trouxe-os todos para a outra margem do rio", descreveu o pescador.

Por se tratar de um local de difícil acesso, os náufragos foram transportados para um posto de observação médica montado pelos bombeiros no porto de pesca, onde uma equipa da VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação) do Centro Hospitalar do Oeste fez a primeira avaliação da situação clínica dos pescadores das Caxinas.

NAZARÉ EMBARCAÇÃO RIO ALCOA PESCADORES
Ver comentários