Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

"Sombra negra" de alguns não pode pôr militares "a olhar para o chão", afirma o Exército

Tenente-general Martins Pereira abordou a investigação a militares suspeitos de tráficos de droga e diamantes.
Lusa 16 de Novembro de 2021 às 19:08
Militares detidos cumprem serviço nos Comandos ou já abandonaram esse regimento. Foram denunciados por soldados
Militares detidos cumprem serviço nos Comandos ou já abandonaram esse regimento. Foram denunciados por soldados FOTO: Mário Cruz / Lusa
O Comandante das Forças Terrestres do Exército disse esta terça-feira aos militares regressados da República Centro-Africana que não pode ser a "sombra negra" da conduta censurável de alguns que os pode pôr a "olhar para o chão".

O tenente-general Martins Pereira, Comandante das Forças Terrestres do Exército, discursou esta terça-feira na cerimónia de receção aos militares portugueses que regressam a Portugal depois de seis meses de missão na República Centro-Africana.

"Não é nem pode a sombra negra da conduta incorreta, errada e censurável a todos níveis de alguns, muito poucos - que será certamente punida judicialmente, e que a todos nós envergonha - que vos ponha a olhar para o chão", disse aos militares, numa alusão à Operação Miríade.

Para o Comandante das Forças Terrestres, estes militares cumpriram "bem a missão, com comportamento íntegro e diligente, respeitador das populações e das suas dificuldades".

"E é com honra, ainda que sem vaidade, que devem ostentar os símbolos, distinções e experiências que esta missão vos conferiu", enalteceu.

Na perspetiva de Martins Pereira estes militares "estão assim de parabéns e podem estar com o sentimento de missão cumprida", considerando que esforço destes operacionais "foi importante para promover a paz e a segurança internacionais e para defender os interesses de Portugal naquelas fronteiras afastadas de África".

A Polícia Judiciária executou, a 08 de novembro, 100 mandados de busca e fez 11 detenções, incluindo militares, um advogado, um agente da PSP e um guarda da GNR, no âmbito da Operação Miríade.

Em causa está a investigação a uma rede criminosa com ligações internacionais e que "se dedica a obter proveitos ilícitos através de contrabando de diamantes e ouro, tráfico de estupefacientes, contrafação e passagem de moeda falsa, acessos ilegítimos e burlas informáticas", com vista ao branqueamento de capitais.

Em comunicado, o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) revelou que alguns militares portugueses em missões da ONU na República Centro-Africana podem ter sido utilizados como "correios" no tráfico de diamantes, ouro e droga, adiantando que o caso foi reportado em dezembro de 2019.

Após o primeiro interrogatório judicial, o ex-militar e alegado líder da rede criminosa e o seu suposto "braço-direito" ficaram em prisão preventiva.

República Centro-Africana Forças Portugal Martins Pereira política defesa defesa forças armadas
Ver comentários