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Correio da Manhã

Portugal

Tribunal iliba do crime de burla o 'vidente de Fátima'

Estava acusado de ter sacado quatro mil euros a doente. Juíza diz que nunca foi feita promessa de cura.
Paulo Jorge Duarte 23 de Maio de 2019 às 08:37
Carlos Marques, ‘vidente de Fátima’ (à direita), aqui  acompanhado do advogado Pedro Teixeira
‘Vidente de Fátima’ acusado de burlar paciente em 4 mil euros
Carlos Gabriel, 'vidente de Fátima'
Carlos Marques, ‘vidente de Fátima’ (à direita), aqui  acompanhado do advogado Pedro Teixeira
‘Vidente de Fátima’ acusado de burlar paciente em 4 mil euros
Carlos Gabriel, 'vidente de Fátima'
Carlos Marques, ‘vidente de Fátima’ (à direita), aqui  acompanhado do advogado Pedro Teixeira
‘Vidente de Fátima’ acusado de burlar paciente em 4 mil euros
Carlos Gabriel, 'vidente de Fátima'
Carlos Marques, o autointitulado ‘irmão Gabriel, o ‘vidente de Fátima’, foi absolvido esta quarta-feira pelo Tribunal de Ovar do crime de burla.

Estava acusado de sacar 4 mil euros, em 2017, sob alegadas promessas de cura - que não ficaram provadas - a um cliente, doente com esclerose múltipla.

"Não resultou provado que o arguido, depois de o ofendido relatar os seus problemas de saúde, lhe tivesse garantido que a sua doença não passava de uma maldição, prometendo uma cura", disse a juíza, durante a leitura da sentença, na qual citou um acórdão da Relação do Porto: "(...) é do conhecimento geral que os factos, os acontecimentos surgidos na vida de todos e cada um, tal como os fenómenos naturais, não são resultado da ação de espíritos."

"Estamos bastante satisfeitos, a decisão do tribunal é exemplar. Consegue distinguir o plano do espiritual, das crenças e fé religiosa do plano processual e criminal", disse Pedro Teixeira, advogado de Carlos Marques.

Segundo a acusação, a vítima, de 61 anos, acreditou que o ‘irmão Gabriel’ era santo e que tinha o poder da cura.

"Todos sabemos que uma pessoa normal não pode acreditar que alguém é santo", reforçou o advogado, garantindo que o cliente cumpriu com o acordado.

"O dinheiro entregue não foi para curar, foi para acompanhamento espiritual e tratamento com produtos naturais. A maior parte até foi para mandar rezar missas no santuário de Fátima todos os dias ao longo de um ano", vincou Pedro Teixeira.
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