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Correio da Manhã

Portugal
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VIOLAÇÃO NÃO CONFIRMADA

A Polícia Judiciária do Porto levou a sério os alertas dos médicos do Hospital da Póvoa de Varzim que suspeitaram estar em presença de um caso de abuso sexual continuado de que teria sido vítima uma menina de dois anos, de Parada, Vila do Conde, e desencadearam de imediato uma investigação.
13 de Abril de 2004 às 00:00
Ao fim de três dias, todavia, os inspectores, já na posse dos exames médico-legais que não confirmavam os indícios de molestação, abandonaram o caso e pediram desculpa à mãe da menina pela pelos incómodos causados.
O caso ocorreu no sábado, quando, a meio da manhã, Maria da Conceição, de 35 anos, apareceu em casa da ama da sua filha, trazendo a menina inanimada ao colo e pedindo-lhe ajuda.
“Vinha aos gritos, aflita sem saber o que fazer. Pareceu-me coisa grave, a menina não segurava a cabeça, pensei numa meningite e chamámos os bombeiros”; contou Ana Morais, conhecida na terra por Ana ‘Valenta’ ao CM.
Transportada para o Hospital de Vila do Conde, a menina foi de imediato transferida para a unidade hospitalar da Póvoa de Varzim. Aqui, os médicos verificaram que a criança apresentava alguns indícios de violação pelo que alertaram de imediato a PSP local e encaminharam a bebé para o Hospital de São João, no Porto.
Perante as suspeitas, a PSP levou Maria da Conceição para o posto policial e participou o caso à Polícia Judiciária. Pouco depois chegaram à Póvoa os inspectores da PJ que levaram a mãe da menina para o Porto. Ao longo do fim-de-semana, o inquérito prosseguiu, mas apesar do sigilo em que se tentou rodear o caso, a informação correu célere pela pacata freguesia de Parada.
“Os polícias fizeram o seu trabalho, não posso levar a mal, mas o mesmo não digo dos médicos do Hospital da Póvoa. Foram muito precipitados ao levantarem tanto alarme sem fazer os exames que deveriam. Confundiram uma inflamação com abuso sexual e causaram muito mal àquela família”, disse ao CM, Maria Antónia, filha da ama, ao chegar a casa após ter passado todo o dia de ontem com a mãe a menina, no Hospital de São João.
DIFICULDADES DE MÃE SOLTEIRA
Maria da Conceição tem 35 anos. Foi viver para Parada, Vila do Conde, há cerca de dois anos, com a bebé, para casa do seu novo companheiro, pedreiro, e do filho deste, agora com 16 anos. Na casa vizinha moram os pais do companheiro. Nesta família houve no passado um caso relacionado com a violação de uma criança deficiente, mas ninguém na terra relaciona os casos, até porque todos esperam que a doença da menina seja ditada por causas naturais e que possa regressar ao lar muito em breve.
Maria da Conceição passa por dificuldades económicas, já teve vários empregos precários e há algumas semanas conseguiu colocação numa pequena confecção, onde aufere um salário de 300 euros mensais.
OUTROS PORMENORES
MENINGITE
A ama suspeitou de uma meningite. Todavia, não recebeu de qualquer serviço de saúde quaisquer recomendações relacionadas com essa doença, apesar de em sua casa habitarem outras crianças.
INVESTIGAÇÃO
Ana ‘Valenta’, a ama, nunca acreditou que a menina tivesse sido alvo de sevícias sexuais, ainda por cima continuadas. “A menina tem muita vida, é esperta e alegre, nunca mostrou sinais estranhos”, diz.
NO HOSPITAL
A família critica o comportamento de alguns médicos do Hospital da Póvoa de Varzim. Queixa-se mesmo de alguma agressividade para com a mãe da bebé. “Julgaram em vez de examinar”, diz um familiar.
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