Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
8

Apenas se conhece 19% do mar profundo, alerta comité português da Comissão Oceanográfica Intergovernamental

UNESCO sublinha grande falta de informação e de conhecimento sobre os oceanos.
Lusa 5 de Maio de 2021 às 21:42
Oceano
Oceano FOTO: Direitos Reservados
O presidente do Comité Português para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI), da UNESCO, alertou esta quarta-feira para a grande falta de informação e de conhecimento sobre os oceanos, apenas se conhecendo 19% do mar profundo.

Luís Menezes Pinheiro foi hoje um dos intervenientes numa conferência 'online' promovida pela Ciência Viva e a propósito da Década do Oceano.

A Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou a década 2021-2030 como a Década da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável.

Ao falar das ações e programas para a década Luís Menezes Pinheiro disse que se pretende ter até 2030 os fundos marinhos cartografados, que não são conhecidos até hoje em detalhe.

"Conhecemos cerca de 19% do oceano profundo. E das águas pouco profundas com boa resolução conhecemos talvez 50%", afirmou, acrescentando que nesta década se pretende ainda fazer um inventário dos ecossistemas marinhos e promover a literacia do oceano.

É preciso, disse, convencer os Estados de que observação dos oceanos é fundamental. "Não podemos atuar sobre aquilo que não conhecemos" e, citando outro interveniente na conferência, "também não conseguimos proteger e amar o que não conhecemos".

Em resumo, disse Luís Menezes Pinheiro, a década que agora começou tem de ser transformadora, tem de definir ações e soluções, e as pessoas têm de ser audaciosas e juntar-se e partilhar conhecimentos, tudo na defesa do oceano, porque a visão de hoje é de que há "um planeta, um oceano" e não vários oceanos.

O responsável afirmou ainda que é no oceano que se encontram as chaves para compreender a origem da vida, que pode ser dele que venham "caminhos mais sustentáveis para o planeta", e que ainda assim os humanos têm "tratado o oceano como reservatório de lixo". "Está na altura de salvarmos o oceano", apelou.

Além de garantir sistemas oceânicos sustentáveis, é preciso assegurar que há avisos precoces para eventos extremos e aumentar a resiliência e capacidade de adaptação das populações às alterações climáticas, porque "não faz sentido" continuar a construir-se junto ao mar.

A Década que agora começou pretende contribuir, lembrou o responsável, para um oceano mais limpo, identificando poluições (não apenas o plástico, porque "os antibióticos começam a ser um problema gravíssimo"), para um oceano mais saudável e resiliente, para um oceano mais previsível, para um uso do oceano mais sustentável, e para uma população com menos riscos e mais informada.

A COI é o organismo das Nações Unidas responsável pelas ciências do mar e foi criada em 1960.

Na conferência de hoje, entre outros, participou a investigadora Filipa Bessa, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra, que explicou dois projetos em que o Centro está envolvido, um deles que utiliza drones para mapear zonas costeiras e identificar lixo.

Filipe Brandão, gestor de projeto na GMV, uma multinacional tecnológica ligada nomeadamente ao setor espacial, explicou também como estão a ser usadas imagens de satélite para detetar lixo no oceano.

O plástico é o principal lixo que se encontra no mar, que recebe oito milhões de toneladas por ano. "Em 2030, se nada for feito, serão 50 milhões de toneladas", avisou Filipa Bessa.

Ver comentários