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Emissões de gases poluentes ameaçam um terço da produção alimentar até 2100

Investigação finlandesa considera que várias regiões do mundo correm o risco de não conseguirem produzir alimentos no próximo século.
Correio da Manhã 15 de Maio de 2021 às 01:39
Agricultura
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Um novo estudo, lançado esta sexta-feira na revista One Earth, revelou que a agricultura e produção alimentar estarão sob fortes constrangimentos nos próximos 80 anos (final do século) devido ao agravamento das mudanças climáticas que afetam os setores agrícola e da pecuária.

A pesquisa liderada pela Aalto University, na Finlândia, analisou a forma como as emissões de gases com efeito estufa estarão a afetar diferentes regiões do planeta, apesar de ainda haver pouco conhecimento científico. Ainda assim, um professor da instituição, Matti Kummu, afirmou que "o rápido e descontrolado crescimento das emissões pode, até final do século, fazer com que mais de um terço da atual produção de alimentos a nível global caia", sublinhando a importância de reduzir as emissões, de 1,5 a dois graus Celsius.

Os pesquisadores definem as alterações climáticas com impacto na pluviosidade e na aridez do solo com "especialmente ameaçadoras para a produção de alimentos no sul e sudeste da Ásia, bem como na região do Sahel".

Segundo o estudo, a produção de alimentos permanecerá no espaço climático seguro no futuro, a maior parte nos países europeus. Já nos países como o Benim, o Camboja, o Gana, a Guiné-Bissau e o Suriname seriam "bastante afetados" se nenhuma mudança for feita.

"Se deixarmos as emissões crescerem ao ritmo atual, o aumento das áreas desérticas é especialmente preocupante, porque nessas condições quase nada pode crescer sem irrigação. No final deste século, podíamos ver mais de quatro milhões de quilómetros quadrados de novo deserto em todo o planeta", acrescenta o investigador.

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