Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
2

Humanidade em risco de extinção nos próximos séculos devido às mudanças climáticas

Mais de 80 milhões de pessoas passarão fome em 2050 e 130 milhões estarão em pobreza extrema em dez anos.
23 de Junho de 2021 às 18:18
Seca em Angola
Seca em Angola FOTO: GettyImages

O clima tem-se alterado bastante nos últimos anos e prevê-se que daqui a 30 anos, o impacto desse fenómeno terá graves consequências na vida na Terra, revela um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado esta quarta-feira pela Agência France-Press.

O documento revela situações como escassez de água, desnutrição e extinção de espécies. As previsões apontam para efeitos devastadores antes de 2050. "A vida na Terra pode recuperar de grandes mudanças climáticas, evoluindo para novas espécies e criando novos ecossistemas, mas a humanidade não pode", informa o relatório.

Entre as conclusões mais preocupantes está o incumprimento do Acordo de Paris, assinado em 2015, em que o mundo se comprometeu a limitar o aquecimento global de 2ºC para 1,5ºC. O IPCC estima que este incumprimento originará "gradualmente consequências graves durante séculos e, por vezes, irreversíveis". De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, a probabilidade do limite ser ultrapassado até 2025 é de 40%.

A produção alimentar é um dos setores mais preocupantes e o que será afetado pelas mudanças climáticas. A agricultura, a pecuária e a pesca são atividades em risco e poderão afetar mais de 80 milhões de pessoas, que passarão fome em 2050, e 130 milhões em pobreza extrema em dez anos.

A subida do nível das águas do mar ameaçam muitas cidades do litoral e as populações, que se verão obrigadas a deslocar-se. Por seu turno, o aumento das temperaturas resultará na escassez de água, colocando em perigo cerca de 350 milhões de habitantes em todo o planeta. Aliás, o degelo das calotes polares da Gronelândia e da Antártida têm água suficiente para fazer subir os níveis de água em 13 metros, avança o Le Monde.

Apesar das conclusões alarmantes, o mesmo relatório indica que a humanidade ainda pode reagir para reverter piores consequências: "precisamos de uma transformação radical de processos e comportamentos a todos os níveis: indivíduos, comunidades, empresas, instituições e governo".

Ver comentários