Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
2

100 mil alunos sem aulas por falta de professores

Baixas médicas e reformas vão agravar problema.
Rogério Chambel 28 de Setembro de 2022 às 01:30
Mário Nogueira
Professores ameaçam com luta
Mário Nogueira
Professores ameaçam com luta
Mário Nogueira
Professores ameaçam com luta
Duas semanas depois do início do ano letivo há mais de 100 mil alunos sem todos os professores atribuídos. Em 73,7% das escolas faltam, sobretudo, professores de Informática, Físico-Química, Português, Matemática, Biologia-Geologia, mas também educadores de infância e docentes do 1º ciclo, de acordo com um inquérito da Federação Nacional de Professores (Fenprof). Há estabelecimentos de ensino onde faltam 34 docentes.

“A abertura do ano letivo 2022-23 confirmou o fracasso das medidas avulsas tomadas pelo Ministério da Educação”, realçou esta terça-feira Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof. A falta de professores está a ser colmatada com recurso a licenciados sem profissionalização, em especial na zona da Grande Lisboa, Alentejo e Algarve, denunciou a Fenprof.

Mário Nogueira alerta que o problema vai agravar-se, já que aos 3000 docentes a quem foi reconhecido o direito à mobilidade por doença que não foram colocados e que poderão entrar de baixa juntam-se os 680 que vão reformar-se até 31 de dezembro. Também há falta de trabalhadores não docentes, em particular assistentes operacionais, diz a Fenprof.

PORMENORES

Contratação direta
O ministro da Educação, João Costa, informou que estão a ser adjudicadas 7500 juntas médicas para vigiar “alguns padrões de baixa” de professores, embora defenda que, por princípio, toda a gente é honesta.

Queixa contra o Estado
A Fenprof vai apresentar queixa contra o Estado sobre a alteração do regime de mobilidade por doença. Também vai lançar um abaixo-assinado contra o reforço do recrutamento pelas escolas e a possibilidade de os diretores escolherem uma percentagem dos docentes.

Ameaça de greve e exigência de aumentos salariais
Os professores admitem avançar para a greve caso sejam esquecidos no próximo Orçamento do Estado, numa luta que começa dentro de uma semana em frente ao Parlamento. Aumentos salariais (no mínimo em 10%), fim das quotas nas avaliações e das vagas para progressão são algumas das reivindicações. Querem ainda ser ressarcidos pelos anos anos em que os seus salários estiveram congelados.

Ver comentários